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12 de fevereiro de 2020

DEPOIS DE SER CONSIDERADO O MELHOR MEL IBÉRICO, EM 2018
Mel da Apijardins vale prata na Itália

O mel da Apijardins, produzido pela apicultora profissional Filipa Almeida, conquistou, no dia 30 de janeiro, no International Taste Awards 2020, em Itália, duas medalhas de prata, com o Mel de Rosmaninho Apijardins e o Mel Multifloral Apijardins. O primeiro somou 88 pontos e segundo 82, sendo que só foram ultrapassados pelo mel de tomilho produzido pela Organic Beez, da Grécia, que alcançou os 92 pontos.
De realçar, no entanto, que esta não é a primeira vez que a Apijardins é distinguida em provas internacionais, uma vez que em 2018 já tinha arrecadado, em Espanha, o prémio de melhor mel ibérico monofloral de rosmaninho.
Filipa Almeida afirma que se deslocou a Itália “por conta própria, para fazer uma prospeção de mercado”, sendo que teve pela frente “uma mostra com um comité técnico de 160 júris”, pelo que, confessa, “não estava à espera que acontecesse aquilo que aconteceu”. Algo que, agora, considera que “foi ver o reconhecimento que o mel tinha fora da Península Ibérica”, depois do prémio conquistado em 2018.
Mas as boas notícias não ficaram pelas das medalhas de prata, pois “outra surpresa é que entre os 600 produtos oriundos de 31 países que estiveram a concurso fui escolhida por um chef Michelin para integrar a cerimónia de entrega de prémios, com o meu mel”.
Tudo isto leva a que não hesite em afirmar que “estou grata com a grande recetividade que tive”.

A origem
da Apijardins
A Apijardins está instalada no Concelho de Castelo Branco e foi criada em 2013 por Filipa Almeida, que é arquiteta paisagista.
Tudo começou depois de Filipa Almeida regressar à sua terra natal, por motivos pessoais e familiares.
A agricultura, como adianta, não foi, inicialmente, a sua “opção de vida”, já que durante anos exerceu a atividade de arquiteta paisagista. Mas, com a crise na construção e outros motivos pessoais, “regressei à zona de onde era natural”.
Garante que “ninguém na minha família tinha colmeias, mas tinha alguns vizinhos que eram apicultores”, referindo-se, especialmente, “a um vizinho do qual fiquei com 50 colmeias que ele tinha”.
Estava assim dado o pontapé de saída para se dedicar à apicultura de modo profissional, pelo que começou por frequentar um curso, em Carrazeda de Ansiães, e, sublinha “ia trabalhar para saber o que cada um fazia”.
Acrescenta que “eu sabia trabalhar com as plantas e, por isso, juntei o conhecimento que tinha, para perceber as abelhas. Tudo para trabalhar isso como um todo, sempre com equilíbrio e com a abelha em primeiro lugar”.
É com base em tudo isto que nasce a Apijardins, que além dos apiários dispõe de uma sala de extração e de embalamento, dedicando-se à criação de abelhas autóctones e à venda de enxames, mel e pólen, que podem, por exemplo, ser encontrados em algumas lojas de Castelo Branco, mas também são exportados.
Filipa Almeida destaca também que toda a rotulagem dos seus produtos é realizada com “uma edição de autor. Os rótulos, os desenhos, os frascos são da minha autoria e apresentam a imagem da Região, que é o Bordado de Castelo Branco”.
Pelo meio faz também questão de deixar bem claro que “todos os projetos de arquitetura paisagística em que me envolvo faço questão de integrar paisagens para integrar as espécies de flora que são boas para as abelhas”.

Apicultura deve
ser valorizada
Voltando aos prémios agora conquistados Filipa Almeida afirma que representam “o reconhecimento do trabalho todo por detrás da produção, com o conhecimento técnico e o conhecimento da paisagem”.
Assim, esclarece que “é necessária uma escolha criteriosa dos apiários e desenvolver as tarefas com atenção à floração”.
Ou seja, trata-se de ter uma “visão global”, pois para se ter um bom mel “é preciso um bom pasto para as abelhas. É necessário um maneio correto, sendo que na apicultura é um princípio sagrado que não podemos tirar o excedente, pois há que salvaguardar que a colmeia fica com o suficiente para enfrentar o período invernal. E há que fazer uma cresta cuidada”.
Assegura que este “é um conhecimento que se vai adquirindo o longo do tempo”.
Filipa Almeida frisa que a apicultura “é uma gestão de equilíbrios, em que há que respeitar o ótimo ecológico das abelhas em detrimento do ótimo económico”.
Afirma que “já cheguei a ter 350 colmeias. Agora tenho 300” e “há que saber respeitar sempre a abelha em primeiro lugar” e sublinha “rentabilidade não é só aquilo que se produz é também aquilo que não se gasta”.
Quanto aos prémios destaca que “é um reconhecimento do valor do mel e é também o reconhecimento do mel enquanto produto capaz de projetar o País”, pelo que “o Governo deve olhar para o mel como um setor que deve ser apoiado”, denunciando que “o mel é o setor pobre da agricultura”.
Filipa Almeida garante que no setor do mel “há uma crise profunda, com a produção por vender e não há uma estratégia de valorização do mel português”, quando, acrescenta, há ainda a ter em consideração que “70 por cento do que comemos é polinizado pelas abelhas. É um serviço que elas prestam que é muito importante”.
Isto leva-a a defender que “há que olhar de forma séria para a apicultura e apoiá-la, ajudá-la, valorizá-la”. Tanto mais, continua, que “neste momento há apicultores a vender enxames, colmeias, porque precisam de dinheiro para continuar”.
Filipa Almeida afirma que em relação à apicultura “é preciso gostar muito disto. Ter muita resiliência” e no que pode ser feito para apoiar o setor refere, por exemplo, a rotulagem, na qual “deve haver transparência”, ao que acrescenta que “há uma falta de cultura do consumidor, que não lê os rótulos, porque um coisa é ter mel puro e outra é ter mel misturado com xaropes. Ter mel a dois euros não é possível, pois não se pode vender abaixo do custo de produção”.
Filipa Almeida afirma ainda que “temos um mel de excelente qualidade, mas não há políticas que o valorizem” e adianta que “na União Europeia todos temos que cumprir os requisitos, cumprir a legislação, mas, depois, há países de fora que não cumprem e nós não conseguimos competir com países que não cumprem. A realidade é que temos mel a vir, por exemplo, de países do Leste, a preços muito baixos, sem cumprirem as regras comunitárias”.

Mel é um
superalimento
Filipa Almeida também realça que o mel “é um alimento dos mais completos que podemos consumir. É um superalimento, devido à sua carga enzimática, sendo conhecidas as suas propriedades como anticancerígeno, como antiinflamatório, no aumento da capacidade de imunidade. Por isso é um superalimento que as pessoas deviam ter na alimentação diária”.
Tudo isto aliado ao facto de “Portugal ter a maior diversidade paisagística. É uma paisagem de valor biodiverso, que é uma aptidão e uma potencialidade que o território tem, que não está a ser aproveitada e que será abandonada se os decisores políticos não tomarem medidas. Se não for feito nada para dar visibilidade à qualidade do mel português, o que vai acontecer, a médio prazo, é que a atividade está condenada”.
E são estas considerações que levam Filipa Almeida a assegurar que “esta não é uma atividade para ficar rico. É para quem gosta de trabalhar no campo. É uma atividade que se faz por gosto”.
António Tavares

12/02/2020
 

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