O Serviço de Obstetrícia do Hospital Amato Lusitano (HAL) vai ficar sem um médico obstetra dentro de alguns meses. Rui Ferreira, completa 70 anos de idade, vai passar à aposentação até Maio, ficando assim o serviço com menos um médico. A situação é preocupante já que é conhecido a falta de especialistas neste Serviço, a funcionar há meia dúzia de anos com menos oito médicos do que prevê o seu quadro de pessoal. "O ideal era termos aqui pelo menos mais dois médicos". A expressão é de Gil Ferreira, director do Serviço de Obstetrícia, e evidencia as dificuldades com que este serviço tem vindo a funcionar. A captação de especialistas para este Serviço, tal como para o próprio Hospital, não tem sido fácil. Desde a saída dos médicos obstetras Mário Pombo e Isabel Ribeiro, que não entra mais nenhum médico no serviço que tem vindo a funcionar com quatro, e estes, devido à idade, já começam a sair. O próximo será Rui Ferreira, mas os que ficam estão a chegar aos 60 anos. Caso não sejam colocados mais médicos, teme-se o esvaziamento do Serviço. E parece ser este o destino. Há dois meses que está a decorrer concurso público para admissão de mais um obstetra, mas não tem recebido candidaturas. Aliás tem sido este o resultados de três concursos públicos abertos nos últimos anos.
A Maternidade tem todavia mantido um bom desempenho em todos os parâmetros, nalguns casos superior à média nacional. É o caso da taxa de mortalidade e morbidade. "Somos dos hospitais que apesar de todas as condicionantes, regista menos taxa de cesariana, que rondou no ano passado os 26, 09 por cento", completa Gil Ferreira, taxa esta, que segundo o director do Serviço, é mesmo inferior à média da Zona Centro. "Somos também dos hospitais que menos grávidas transferiu para os hospitais centrais", acrescenta o responsável.
A tutela tem aberto vagas para a colocação de mais médicos obstetras mas os lugares ficam vazios. "Começa a existir falta destes especialistas no País e torna-se difícil chamá-los para trabalharem nos hospitais do Interior", entende Gil Ferreira. Eles são necessários não só para a realização de partos, mas para os restantes actos clínicos que um qualquer Serviço de Obstetrícia realiza. "É um erro reduzir a Obstetrícia aos partos. Os médicos também realizam neste serviço ecografias, consultas, vários tipos de exames. "O parto é apenas mais um acto clínico associado a outro acto clínico", sublinha o director do Serviço.
No ano de 2008, o HAL registou 480 partos, número que se tem mantido nos últimos anos, inferior àquele que registava há 10 anos atrás, que chegou registar mais de 700 partos por ano. "Não se pode dizer que esta diminuição se deve só ao facto de a Maternidade de Castelo Branco ser menos procurada. Temos de analisar que o número de partos se tem mantido o mesmo em quase todos os hospitais do País. As famílias optam por ter menos filhos", analisa Gil Ferreira. No entanto, e para os partos realizados, associado aos restantes actos que o Serviço tem de fazer, reconhece "o número de médicos de facto não chega. Temos recorrido a dois médicos contratados, mas que vêm cá periodicamente e fazer só urgências".
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