10 de maio de 2017

PROENÇA-A-NOVA
Arco da Moita está reconstruído e inclui valorização do espaço envolvente

O Arco das Moitas, no Concelho de Proença-a-Nova, foi totalmente reconstruído e colocado num espaço que valoriza este elemento arquitetónico e a história a ele associada, tendo sido benzido pelo pároco de Proença-a-Nova, no dia da procissão dos habitantes das Moitas entre a aldeia e Proença-a-Nova, durante a Sexta-feira Santa, no dia 14 de abril.
Aquando da construção do último troço do IC8, entre o nó da EN241-1 e o Perdigão, o Arco teve de ser desmantelado por estar colocado precisamente nos terrenos do itinerário complementar.
O presidente da Câmara de Proença-a-Nova, João Lobo, afirma que “o Município decidiu instalar o Arco e arranjo envolvente em local próximo à sua edificação original, tirando partido do restabelecimento do acesso ao Vale das Balsas e ao Aeródromo Municipal” e realça que “a reconstrução deste elemento era um anseio da população das Moitas e povos vizinhos, por traduzir a crença e a fé das comunidades que ao longo de décadas conviveu com ele no espaço territorial”.
João Lobo avança ainda que “esta reconstrução, além de símbolo de fé e de crença, representa hoje e no futuro um atrativo para o Concelho. É, pois, mais um elemento identitário que importa valorizar”.
De acordo com Assunção Vilhena, autora do livro Gentes da Beira Baixa – Aspetos Etnográficos do Concelho de Proença-a-Nova, o arco de pedra negra foi edificado originalmente na estrada que ligava Proença-a-Nova a Castelo Branco, no meio da bifurcação com o ramal que conduz a Vale das Balsas. “O que se passa, segundo me informaram, é que, quando foi construído, a estrada era muito estreita; as colunas de suporte assentavam nas bermas e era por baixo dele que passavam todas as viaturas que eram bem mais estreitas e em menor número que hoje”. Com o aumento do tráfego, houve necessidade de alargar a estrada e o ramal, tendo o arco mudado de sítio.
A autora refere que o arco foi poupado à destruição por ter umas Alminhas e recupera a lenda do Arco da Moita, a adiantar que “conta-se que um garoto do Espinho há «muitos anos», não referem data, ia à escola a Proença e descia o Vale Fagundes que, naquele tempo, era muito temido por causa dos medos. Como era muito longe, o garoto passava ali de madrugada e, no regresso, já noite cerrada. A maior parte dos dias passava lá a chorar e queria desistir de ir à escola. Uma noite, porém, apareceu-lhe uma senhora vestida de branco que o aconselhou a ter coragem e a ser persistente no estudo, porque um dia havia de ser um padre muito virtuoso. Daí para diante, o garoto não voltou a ter medo, não desistiu de ir à escola e prometeu que, se viesse mesmo a ser padre, havia de ali mandar construir um arco para perpetuar aquela aparição”.

10/05/2017
 

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