António Tavares
Editorial
Os jornalistas Portugueses vão estar em greve esta quinta-feira, 14 de março. Uma paralisação que acontece mais de 40 anos da última greve e que, por sinal, tem lugar precisamente no ano em que se comemoram os 50 anos do 25 de Abril de 1974. Ou seja, no ano em que se comemoram as bodas de ouro da conquista da liberdade e da democracia em Portugal, os jornalistas estão em greve precisamente em defesa do jornalismo, que é um pilar fundamental da democracia.
É sempre bom lembrar que uma democracia plena precisa de um jornalismo livre e de qualidade, ao contrário das ditaduras, nas quais se silenciam os órgãos de Comunicação Social.
Mais, um jornalismo livre e de qualidade é vital para todas as pessoas, pois quanto mais informadas estiverem mais conhecimentos têm para opinar e ser livres. Claro está, que no reverso da medalha, há sempre quem pretenda o contrário, por motivos que nem é preciso explicar.
Dito isto, com a greve desta quinta-feira, os jornalistas pretendem que seja uma realidade o trabalho estável, o aumento geral dos salários, o pagamento digno das horas de trabalho e das compensações por penosidade do trabalho noturno dos fins de semana e do subsídio por isenção de trabalho.
Ao mesmo tempo é exigida a intervenção pública, porque Portugal é dos poucos países europeus onde o Estado nada faz pela sustentabilidade do jornalismo.
Situações que é preciso inverter, antes que seja demasiado tarde.