Edição nº 1933 - 11 de fevereiro de 2026

Patrícia Bernardo
E AGORA? COMO CUIDAR DAS EMOÇÕES DEPOIS DE UMA CATÁSTROFE

Nos últimos meses, o nosso país tem sido assolado por diversos eventos climáticos extremos, deixando em vários locais um rasto de destruição.
Quando uma catástrofe acontece, seja natural, humana, tecnológica ou outra situação extrema o impacto é imediato e visível. Há perdas materiais, mudanças bruscas na rotina e uma mobilização coletiva para responder à urgência. Num instante o que era familiar torna-se estranho, o que parecia seguro passa a ser incerto.
Mas, quando o perigo passa e a atenção mediática diminui, muitas pessoas ficam a lidar com algo menos visível e, igualmente, importante: as consequências emocionais.
Após uma catástrofe, é comum sentir medo, ansiedade, tristeza, irritabilidade ou cansaço extremo. Algumas pessoas dormem mal, revivem imagens do que aconteceu ou sentem-se constantemente em alerta. Outras experimentam um vazio emocional ou dificuldade em sentir prazer. Estas reações, embora perturbadoras, são respostas humanas a experiências anormais. Não significam fraqueza nem falta de capacidade para lidar com a situação.
O corpo e a mente entram em modo de sobrevivência durante o evento crítico, preparando-se para lutar ou fugir. Esse estado de alerta ajuda no momento, mas pode prolongar-se no tempo, dificultando o regresso à normalidade.
Por isso, cuidar das emoções depois de uma catástrofe não é um luxo: é uma necessidade!
Um primeiro passo importante é recuperar a sensação de segurança. Ter um local estável onde dormir, refeições regulares e alguma previsibilidade no dia a dia ajuda o sistema nervoso a acalmar. Pequenas rotinas como, horários para levantar, comer ou caminhar têm um impacto maior do que muitas vezes se imagina.
Falar sobre o que se sente também é fundamental. Partilhar emoções com familiares, amigos ou vizinhos ajuda a organizar a experiência e a reduzir o peso do isolamento. Não é preciso encontrar as palavras certas nem falar o tempo todo sobre o acontecimento. Ser ouvido, sem julgamentos ou comparações, já é em si terapêutico.
O apoio social é um dos principais fatores de proteção após situações traumáticas. Comunidades que se apoiam, que reconhecem as perdas e que mantêm espaços de entreajuda tendem a recuperar melhor. A reconstrução emocional faz-se em conjunto, tanto quanto a reconstrução material.
No caso das crianças e adolescentes, a atenção deve ser redobrada. Alterações de comportamento, regressões, medos intensos, dificuldades na escola sozinhos podem ser formas de expressar o impacto emocional. Os adultos devem oferecer segurança, responder às perguntas com honestidade adequada à idade e procurar ajuda especializada se os sinais persistirem.
No que diz respeito à população idosa, exige planeamento prévio, atenção às necessidades médicas e emocionais específicas, bem como criar uma rede de apoio, visto que alguns vivem sozinhos, sem familiares por perto, o que os torna mais vulneráveis.
É importante saber quando pedir apoio profissional. Se os sintomas emocionais forem intensos, durarem várias semanas ou interferirem, significativamente, com a vida diária, o acompanhamento psicológico pode fazer a diferença. Procurar ajuda não é sinal de fraqueza, mas um ato de responsabilidade consigo próprio e com os outros.
Cuidar das emoções após uma catástrofe é um processo gradual. Não existe um prazo certo para “estar bem” nem uma forma única de recuperar. Cada pessoa tem o seu ritmo, a sua história e os seus recursos.
À pergunta “e agora?”, a resposta começa muitas vezes por algo simples: reconhecer o impacto vivido, aceitar apoio e permitir-se reconstruir, passo a passo. Porque cuidar da saúde mental é parte essencial do caminho para seguir em frente.
(Psicóloga Clínica e da Saúde)

11/02/2026
 

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