ALIANÇA TERRITORIAL EUROPEIA AVANÇA COM MEDIDAS
Luta pela construção do IC31 continua em Portugal e Espanha
A construção do Itinerário Complementar 31 (IC31), entre Castelo Branco e Moraleja, em perfil de autoestrada, continua a ser uma exigência da Aliança Territorial Europeia (ATE). Isso mesmo ficou bem claro na quarta reunião da ATE, que se realizou em Castelo Branco, esta segunda-feira, 13 de abril.
Um encontro no qual o porta-voz da ATE, Francisco Martín, revelou as ações que serão desenvolvidas, a começar por “uma concentração no Ponte Internacional de Monfortinho, dia 20 de maio, à tarde”, permitindo que “os cidadãos, as empresas, o mundo do turismo se manifestem uma vez mais”.
Uma segunda medida, concretizada na reunião, foi a “assinatura das petições formais e oficiais, por mais de 30 organizações que estão aqui presentes, para afirmar a solicitude com os grupos parlamentares”, uma vez que são “eles que nos representam e têm que colaborar”. Nesse sentido, serão contactados “tanto os quatro grupos parlamentares da Extremadura, como os sete grupos parlamentares da Assembleia da República Portuguesa”.
Uma posição que é assumida, porque, como Francisco Martín faz questão de deixar claro, este é um assunto que “não tem cores políticas. Aqui, a cor que nos importa é o da igualdade, das oportunidades para as nossas empresas e os nossos cidadãos, para criar riqueza e fixar a população”.
Ainda na vertente política, a terceira medida passa por “solicitar uma reunião, ao mais alto nível, entre a presidente da Junta da Extremadura, Maria Guardiola, e o Primeiro Ministro Português, Luís Montenegro”, para que “vejam como estão os projetos, se coordenem e impulsionem”.
Tudo, porque realçou Francisco Martín, “não queremos que nos tornem loucos com mais promessas, com mais recursos, com mais dilação”.
Para Francisco Martín é garantido que “precisamos unimos mais, lutar mais”, uma vez que “já basta de despovoamento, após 36 cimeiras ibéricas, entre Portugal e Espanha. Queremos as mesmas oportunidades, a dignidade do nosso território” e concluiu que “sabemos que quando se quer, se pode”.
Na mesma linha, o presidente da Câmara de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues, afirmou que o nosso objetivo de completar a ligação entre Lisboa e Madrid em perfil de autoestrada”, defendendo que “este é um projeto decisivo para o desenvolvimento deste território”, tando mais que “o nosso território da Beira Baixa e também o território da Extremadura têm sido negligenciados ao longo do tempo pelas autoridades centrais e nós reivindicamos esta condição e reivindicamos também este objetivo da construção do IC31 em perfil de autoestrada”.
Leopoldo Rodrigues realçou que o IC31 “será importante para o desenvolvimento económico, do turismo, social e também para trazer mais gente a este território no qual vivemos, pelo qual lutamos, pelo qual trabalhamos e que, obviamente, temos como objetivo desenvolver”.
O autarca recordou os diversos contactos e reuniões com o Governo para, de seguida, sublinhar que “o Governo atual inseriu no Orçamento do Estado um milhão de euros, que é manifestamente insuficiente para o desenvolvimento deste projeto, mas há também, por parte do senhor ministro das Infra-Eestruturas, o compromisso de levar o projeto por diante. Mas aquilo que nós queremos são decisões práticas. Aquilo que nós queremos, como diz muitas vezes o Francisco, é ouvir as máquinas a fazer barulho, ou seja, queremos que não se perca tempo demasiado, obviamente salvaguardando aquilo que são as questões legais no desenvolvimento dos projetos”.
Uma matéria em relação reforça que “queremos os projetos concluídos, decisões e que o IC31 em perfil de autoestrada, a ligação a Monfortinho e depois a ligação de Monfortinho até Moraleja seja efetivamente realizada”.
No decorrer da reunião, a presidente da Câmara de Idanha-a-Nova, Elza Gonçalves, realçou que “reunimos hoje para falar de futuro, mas também de respeito por um território e por um povo que nunca desistiu. Quando falamos do IC31, não falamos apenas de uma estrada. Estamos a falar da possibilidade de reescrever o posicionamento da Região no mapa, não como periferia, mas como centro”.
Elza Gonçalves destacou também que Amoeda que usamos aqui, junto à fronteira, é exatamente a mesma que se utiliza em Lisboa ou Madrid. Pagamos os mesmos impostos e cumprimos as mesmas obrigações”, por isso, “o que exigimos é equidade”, porque, assegurou, “viver no Interior não pode significar ter menos oportunidades”.
A autarca vê o IC31 como “o fator determinante para a quebra definitiva do isolamento” e concluiu que “o IC31 não resolve tudo, mas resolve muito”, sem deixar de referir que com “o IC31 Idanha-a-Nova ganha uma centralidade única”.
Por seu lado o presidente da Câmara de Penamacor, José Miguel Oliveira, começou por realçar que “estamos entre a fronteira mais pobre da Europa” e denunciou “anos sucessivos de desinvestimento no nosso território”, bem como “a falta de visão estratégica dos nosso dois governos (Portugal e Espanha)”, para avançar que “é uja vergonha esta via ainda não ter sido executada. Talvez nos falte peso político, Faltam pessoas para olhar para esta reunião como não periférica”.
José Miguel Oliveira acrescentou ainda que “Portugal, o Governo falhou na Autoestrada da Beira Interior (A23)”, uma vez que “faltou a capilaridade. As ligações a concelhos como Penamacor e Idanha-a-Nova que estavam previstas, mas não foram concretizadas”.
Já o presidente da Câmara de Proença-a-Nova e da Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa (CIMBB), João Lobo, avançou com uma pergunta, ao questionar “se os partidos políticos estão todos de acordo. Se aqui nesta sala todos estão de acordo. Se os governos (Portugal e Espanha) têm tudo mais ou menos tratado, o que é que falta?”.
João Lobo que realçou ainda que “o IC31 já só peca por tardio”, para afirmar que “não quero crer que ele não se fará. Quero acreditar que em 2027 as máquinas estarão no terreno”.
Recorde-se que o IC31 é a parte que falta na ligação por autoestrada entre Lisboa e Madrid, sendo que 518 quilómetros, ou seja, 88 por cento do percurso está em serviço, faltando apenas 72 quilómetros, de Castelo Branco a Moraleja.
António Tavares