Edição nº 1952 - 24 de junho de 2026

CÂMARA DÁ NÃO AO GRUPO EUROWIND
Câmara não quer parque solar e eólico na Gardunha

O presidente da Câmara de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues, revelou a oposição da autarquia no que respeita à instalação de um parque de energia solar e eólica na Serra da Gardunha, pelo grupo investidor Eurowind.
Na sessão pública do executivo realizada na passada quinta-feira, 18 de junho, Leopoldo Rodrigues recordou que “tivemos uma primeira reunião com um grupo investidor que tem como designação Eurowind, há cerca de dois ou três anos”, na qual “disseram que tinham licença para o desenvolvimento de um parque solar ou de um parque misto, que pretendiam fazer no Concelho de Castelo Branco e qual era a nossa posição relativamente a esse assunto”.
Isto para adiantar que “fui claro relativamente aquilo que era a nossa posição. O que disse aos promotores foi que o Executivo tinha algumas condições das quais não abdicaria. A primeira condição, é a não utilização de espaços ou terrenos agrícolas para o desenvolvimento de parques fotovoltaicos ou eólicos. A segunda condição, é a não utilização de áreas protegidas, sejam elas áreas protegidas por via do património construído, sejam áreas protegidas devido ao património natural. E em terceiro, que não nos parecia adequado que a instalação destas infraestruturas tivesse um forte impacto na paisagem, nomeadamente na paisagem visual e naquilo que é a sua localização junto a vias de comunicação”.
Apesar desta posição, avançou que, “passados alguns meses, recebi um pedido de reunião com um consultor ligado à Eurowind, para saber da nossa disponibilidade para arrendar cerca de sete hectares que o município detém na Serra da Gardunha”. Leopoldo Rodrigues destacou que “foi com muita surpresa que recebi este pedido de reunião e a proposta que nos apresentaram. E a proposta era alugar os sete hectares de terra na Serra da Gardunha para a instalação de uma central fotovoltaica, ou de uma parte da central fotovoltaica”.
Nesse encontro afirma que manifestou ao consultor que “devia haver algum equívoco, porque o Município de Castelo Branco tinha sido muito claro naquilo que são as condições para a instalação deste tipo de equipamentos”, sendo que “ele ficou atrapalhado, disse que não tinha informação, que tinha como incumbência a angariação de terrenos para a instalação do parque fotovoltaico e eólico, mas que a decisão não lhe cabia a ele, que aquilo que ele fazia era precisamente identificar terrenos e depois concretizar os contratos desses terrenos”.
No entanto, o processo não acabou por aí, uma vez que “passados poucos dias, recebemos um novo pedido de reunião da Eurowind, que nos veio apresentar a área de instalação desta central fotovoltaica, porque relativamente à central eólica ainda não temos uma localização definida, o que me deixou ainda mais preocupado”.
O autarca afirma que “manifestamos a nossa discordância absoluta relativamente à localização desta central fotovoltaica”, Isto, “apesar daquilo que são as promessas ou os compromissos assumidos pela empresa, nomeadamente que a Câmara irá receber cerca de sete milhões de euros quando o parque solar entrar em funcionamento, através daquilo que são as obrigações do Fundo Ambiental, que estariam disponíveis para constituir bolsas de estudo para os estudantes das freguesias na área de influência deste empreendimento, e mais dois ou três compromissos que foram aqui trazidos nessa reunião. Reiteramos aquilo que tinham sido os nossos princípios e dissemos que seria inaceitável utilizar a Serra da Gardunha, que nós considerámos um santuário da natureza e também daquilo que é a nossa diversidade ambiental neste projeto que eles estavam a desenvolver”.
Leopoldo Rodrigues adianta que “é óbvio que a empresa não ficou concordante e pediu-nos uma reunião, que ainda não foi possível realizar, mas que deverá acontecer daqui por uma semana (esta semana”, revelando ainda que “ao mesmo tempo começou a fazer pressão na Comunicação Social”, sendo que “o foco comunicacional deste processo se centra no investimento de cerca de mil milhões e 200 mil euros, como se o facto de o investimento ter este valor tão avultado influísse naquilo que é a nossa decisão relativamente à defesa do território”.
O autarca admite que este “é um assunto sensível, é um assunto importante, sendo que eu não sou, como já disse muitas vezes, contra a produção de energias alternativas. Queremos e precisamos de utilizar energia, mas existem regras, existem limites e existem linhas que nós não estamos disponíveis para ultrapassar”.
António Tavares

24/06/2026
 

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