Edição nº 1954 - 8 de julho de 2026

João Carlos Antunes
Apontamentos da Semana...

PARTILHO E COMUNGO das palavras de Inês Meneses na sua página do Instagram: O Portugal que me representa é aquele que torceu seriamente por Cabo Verde neste Mundial. Durante dois dias tive noites de sono mais curtas por culpa do futebol. Em qualquer um dos dias a intenção era a de ficar pela primeira parte, mas a incerteza do resultado manteve-me acordado até ao final. No caso de Portugal resolvido pela cabeça de um grande jogador que o treinador teimou em manter sentadinho no banco, até que, num golpe de mágica o meteu em campo.
O outro jogo, foi o de Cabo Verde que estava pela primeira vez num Campeonato do Mundo. Quando se qualificou foi uma festa no arquipélago como se tivesse ganho a competição. Uma equipa, um verdadeiro coletivo, sem vedetas. Sem vedetas mas com um herói que nasceu, o guarda-redes Vozinha, desempregado (por pouco tempo) mas com popularidade que ultrapassa já as fronteiras de Cabo Verde. E foi assim, num verdadeiro trabalho de equipa, sem grandes alardes, que surpreendeu o mundo do futebol ao enfrentar a gigante Argentina num combate digno de David contra Golias num jogo que quase todos considerariam uma autoestrada aberta para Messi e companhia. Mas que enfrentou com brio e sem sentimento de inferioridade uma equipa de vedetas, uma arbitragem a mimar Messi e um infame Infantino da FIFA, amigo e bajulador de Trump (só ele dava um apontamento inteiro). A derrota teve muito sabor a vitória. Deixou orgulhosa toda uma nação e feliz todos os que acreditam no poder da lusofonia para cimentar uma comunidade multicultural, que aceita a diferença, que é solidário, que não esquece a língua como espaço comum. Lembro Fernando Pessoa, A minha pátria é a Língua Portuguesa, a pátria de 260 milhões de falantes espalhados por Cabo Verde e outros oito países.

COMECEI ESTE APONTAMENTO com Inês Meneses e com Inês Meneses termino. Mais uma vez consegui marcar presença na Maratona da Leitura, um festival literário promovido pela Câmara da Sertã e que, pela diversidade de atividades incluídas no programa, pelos espaços que ocupa, na Sertã e aldeias vizinhas e pelos nomes da cultura que atrai, é já uma referência entre os festivais literários. Por razões de vária ordem, este ano apenas pude estar presente na conversa de Inês Meneses e Tozé Brito, mediada pelo Fernando Alvim, num espaço magnífico de boas sombras e bom relvado junto da Ribeira Grande. O pretexto da conversa foi o livro Ao Fim do Dia, escrito a duas mãos pelo casal. Já agora, é um livro que se lê com muito prazer e que recomendo.
E não posso terminar sem elogiar a iniciativa da Câmara da Sertã, já com vários anos de experiência. Num ano em que alguns Concelhos da nossa região optaram por cancelar a grande maioria dos eventos, esta aposta merece ser elogiada. Muitos livros a serem lidos, muita conversa interessante que nos ajuda a conhecer melhor os escritores e muita música. E onde a gastronomia (o maranho, o bucho, o borrego, o cabrito...) é apenas o complemento, um saboroso tesouro a descobrir num dos vários bons restaurantes da vila.

08/07/2026
 

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