Edição nº 1954 - 8 de julho de 2026

FAZER ESCOLA NA MARCENARIA DE RESTAURO

Quem, como eu, conhece o Jorge Batista desde menino, sabe que ele é mais do que um marceneiro: é um estudioso restaurador, logo, um fazedor de arte apurada, dotado de uma imaginação reprodutora única e capaz de uma imaginação criadora invulgar que, infelizmente, tem tido menos possibilidade de desenvolver.
Quem a conhece, sabe que a sua oficina na rua do Relógio se potencia como algo mais do que um local de trabalho.
Para além da sua principal função de ser um lugar onde se desenvolve um cuidadoso trabalho reprodutivo e meticuloso processo restaurador, pode vir a transformar-se num espaço de criação, ensino e partilha de conhecimentos tradicionais muito específicos e até complexos, que poderão atrair visitantes, inspirar jovens formandos, gerando, assim, material para a memória histórica e patrimonial da nossa comunidade.
Contudo, o Jorge Batista é também um vizinho, um amigo, uma pessoa sempre disponível para ajudar quem a ele recorre, consciente das dificuldades adjacentes aos trabalhos desenvolvidos na sua oficina e dos riscos de segurança que lhe são inerentes, devido aos materiais e produtos que utiliza, e que ele sempre disse seriam muito difíceis de obviar na grande maioria dos espaços inicialmente identificados.
É todo este valor profissional e humano que Município reconheceu, com a atribuição da “Medalha de Ouro da Cidade” e que procura promover e defender, como se comprova com os últimos desenvolvimentos, ao encontrar uma boa solução, no caso na Rua de S. Sebastião, para as dificuldades com que se deparou para continuar na zona histórica.
A maestria do artista marceneiro Jorge Batista tem, assim, garantida a manutenção da sua oficina, num bairro a que também pertence desde criança, e, com isso, a preservação do legado material e imaterial familiar.
Mais que apenas um negócio de gerações, o trabalho de Jorge Batista pode ser o que ainda não é, mas que ele tanto defende - o motor de um projeto comunitário de apoio à sua contribuição para a identidade do património albicastrense através da criação de uma Escola da Marcenaria de Restauro, merecedora, quando existir (e existirá), de ser integrada, em pleno, na categoria de Artesanato e Artes Populares no contexto de Castelo Branco - cidade criativa da UNESCO, inscrevendo-se ambos (mestre marceneiro e respetiva escola) no Inventário Municipal de Património Cultural Imaterial que, como sabem é o espaço institucional do registo local de práticas, tradições, saberes e expressões culturais de uma comunidade.
Criar-se-ão, assim, condições para Fazer Escola e atrair os jovens enquanto formandos ou promotores de atividades na Zona Histórica da cidade.
O Jorge Batista tem dedicado a sua vida a preservar profissionalmente a nossa identidade. Como se vê, há uma vontade pública de corresponder à sua vontade pessoal, enquadrada numa estratégia global de intervenção na Zona Histórica de Castelo Branco.
Estou certo que em conjunto, num esforço individual e coletivo, conseguiremos integrar essa vontade num compromisso capaz de promover um projeto comunitário que contribua para a memória histórica, a identidade do património albicastrense e a projeção profissional de jovens artesãos, fazendo escola na marcenaria de restauro.

08/07/2026
 

Outros Artigos

Em Agenda

 
11/07
IntermezzoBiblioteca Municipal António Salvado, Castelo Branco
tituloNoticia
11/07
Serviço PúblicoCentro Cívico de Castelo Branco
16/07
70.º aniversário da Orquestra Típica AlbicastrensePraça Museu Cargaleiro, Castelo Branco

Gala Troféus Gazeta Atletismo 2024

Castelo Branco nos Açores

Video