Antonieta Garcia
O “MAS”, AS PALAVRAS E AS LETRAS...
Como era useiro e vezeiro, chegou a casa cansado. Apetecia dar uma voltinha e divertir-se com outras letras, amigas, sem ter de usar frases cerimoniosas, submeter-se a regras, algumas com curto prazo de validade ..., Mais:, como simplificar os textos para cada amigo puxar a brasa à sua sardinha??? ... A verdade é que o “mas” se levantou, autoritário, e, com outros adeptos, pronunciou-se desfavoravelmente face à eliminação de uma dose de palavras que mereciam sentido.... O texto queria-se criativo, com frases nascidas para vencer.
Ora, foi o “mas”, que com as suas três letrinhas mexeram e remexeram, mexem e remexem em revolução aberta... Acabaram, respiraram fundo e conjunções coordenativas adversativas decidiram aceitar de acordo com os argumentos que dominavam na articulação de orações, em que a segunda proposição expressa o contraste da ideia iniciada, na primeira afirmação.
Com três letrinhas apenas: “mas”.
As principais e primeiras letras do “mas”, apanhavam uma mão cheiinha de, porém, todavia, contudo... Estas eram outras conjunções adversativas: senão; entretanto, não obstante... E havia mais: podemos vê-las encostadas a qualquer senecta atenta, letrada e douta... capazes de segurarem toda e qualquer informação.
. Quer dizer, os excertos apresentavam-se, entravam e saíam, mostravam-se – ai, valha-me Deus! – e não se aquietavam.
Aparecendo noutras exposições, é trabalhoso o “mas”. Abre tantos nomes...
Não são todos bonitos e soantes? Alguns são de excluir, como: “Mal por mal.., Marquês de Pombal”.
Se referir a “Lua de Mel”, a história é de encantar e de feitiços... Procure-se o tapete escolhido para ouvir narrativas... e inicie-se o novo voo. Promete regalos. Enfadados com tantas fadas, com bruxas, ainda assim, sejam abençoadas as cantigas de amigo, de amor, as de escárnio e maldizer... Outros excertos são cantados e inauguram viagens longas para o bem-estar de enamorados, dos “mas”, com três letrinhas apenas...
Disfarçados, embiocados e antiquados... não sabem se, por aqui, se perdem amigos, ou se se ganham novos cânticos...
Afinal, há mil formas de divagar sobre três letrinhas apenas, modificando apenas a fé. Ouve-se: “meu bem...”
São uma delícia as palavras tontas, ora vivendo em torres altaneiras, ora com damas de braço dado, ao pé-coxinho... e outras fórmulas de bem-querer, bem-estar e bem parecer.
Regressemos ao reino do “mas”. Regra obrigatória? Lá vem o uso da vírgula antes de uma oração coordenada adversativa. Exige-se que todas as conjunções adversativas sejam precedidas de vírgula.
Em que ficamos? São múltiplas as conjunções e as ligações para desintoxicar, para desenvenenar e, às vezes, para alindar e até namorar.
O “mas” aborrecia-se. Não havia novidade, apetecia-lhe dar uma voltinha com outras letras, amigas... Como simplificar os escritos para cada amigo puxar a brasa à sua sardinha??? ... A verdade é que o “mas” e outros simpatizantes pronunciaram-se favoravelmente sobre tradições e o património rico que a região protegeu... Mas, ao “mas” faltava compreender os caminhos da liberdade, descobrira que podia ser livre...
Acrescente-se que os rumos desta “terra mãe”, enredados em vozes de diferentes crenças, aprenderam e privilegiaram a liberdade…De alma consolada...