NA SESSÃO PÚBLICA DA CÂMARA, DE 21 DE AGOSTO
Estratégia municipal para a saúde gera consenso
O vereador Jorge Pio, da Coligação SEMPRE Por Todos, defendeu, na sessão pública de Câmara realizada na passada sexta-feira, 21 de agosto, que Castelo Branco tem que “ter uma estratégia municipal estruturada para a Saúde, capaz de contribuir para a atração e fixação de profissionais e para melhorar efetivamente o acesso da população aos cuidados de saúde”
Jorge Pio reconheceu a importância dos investimentos realizados nas infraestruturas de Saúde, mas alertou que “as paredes, por si só, não resolvem a falta de profissionais”, acrescentando que “são investimentos importantíssimos, mas temos de nos preocupar em ocupar o que está dentro destas paredes, que é aquilo que verdadeiramente interessa às pessoas”.
Como exemplo, falou de Alcains, “onde o médico de família se reformou e ainda não foi substituído, lembrando que é precisamente aí que se mede a resposta dada às populações. Isso é que nos interessa. Isso é que interessa às pessoas. Quererem marcar uma consulta e não terem médico de família”,.
Jorge Pio defendeu igualmente que “a Câmara deve, naturalmente, continuar a reivindicar junto do Governo o reforço do Hospital Amato Lusitano (HAL) e das restantes respostas de Saúde no Concelho. Mas isso não impede o município de perceber o que pode fazer diretamente para tornar Castelo Branco mais atrativo para os profissionais”.
Tanto mais, continuou, que “não podemos só esperar pela ação do Governo Central. O município, independentemente de quem seja o presidente da Câmara, tem de lutar todos os dias junto do Governo, no sentido de tentar fortalecer o Hospital. Isso é básico. Agora, a questão é aquilo que nós próprios podemos fazer”.
Foi também neste contexto que o vereador rejeitou que as propostas apresentadas pela Coligação SEMPRE Por Todos possam ser reduzidas à atribuição de um determinado valor financeiro por cada médico que escolha Castelo Branco.
Jorge Pio afirmou que “o senhor presidente meteu na cabeça que a proposta é só 1.500 euros ou dois mil euros por médico. Não é esse o intuito do regulamento que nós apresentámos”, relembrando que “a proposta defendida pela Coligação é mais abrangente e passa por criar condições diferenciadoras para atrair e fixar profissionais, incluindo a possibilidade do município apoiar formação especializada e atualização profissional ou contribuir para a aquisição de equipamentos que permitam desenvolver determinadas especialidades”.
Lembrou que estes fatores “podem fazer a diferença num contexto em que os territórios competem entre si pela capacidade de atrair profissionais de saúde, Se o município estivesse, de forma estruturada, capaz de responder a isso e ser diferenciador relativamente a outros, poderia ser motivo para que um profissional de saúde, em vez de escolher um hospital no Litoral, quisesse vir para um hospital do Interior como Castelo Branco”.
Jorge Pio defendeu que é esta “discussão que importa fazer. Não uma resposta isolada perante cada problema que surge, mas uma política municipal para a Saúde com objetivos, instrumentos e capacidade de antecipação” e nesta matéria manifestou satisfação pelo “facto do executivo estar a trabalhar na definição de uma estratégia municipal para a Saúde” e recordou que a Coligação “já defendia, no seu programa eleitoral, a criação de uma comissão ou conselho consultivo para esta área, envolvendo os diferentes intervenientes e permitindo uma discussão permanente sobre os desafios do Concelho”.
Acerca desta matéria, o presidente da Câmara, Leopoldo Rodrigues, apontou para “o plano estratégico, estruturado, de desenvolvimento da saúde”, em relação ao qual defendeu que “temos que ter a participação e o empenho do Ministério da Saúde”, sublinhando, no entanto, que “todos temos que fazer esta defesa”.
António Tavares