Edição nº 1961 - 2 de setembro de 2026

João Carlos Antunes
Apontamentos da Semana...

JÁ POR MAIS DE UMA VEZ aqui se abordaram as influências nefastas das redes sociais na vida dos adolescentes. É um tema recorrente, um problema relativamente recente mas, na voracidade dos tempos que vivemos, cada ano que passe sem intervenção séria e bem alicerçada na ciência em geral em particular na pedagogia, será um ano em que milhões de jovens de todo o Mundo se perdem nos labirintos gratificantes e viciantes do mundo virtual. Este problema, que não pode ser varrido para baixo do tapete, já é percecionado por inúmeros governos e instituições que se reflete em inúmeras medidas tendentes a controlar, ou diminuir, o acesso irrestrito das redes pelas crianças e adolescentes jovens. Vários países, em especial os do norte da Europa, recuaram nos métodos de aprendizagem com recursos digitais, abandonando os ecrãs e voltando ao papel, lápis e caneta, também baseados em informação científica sobre o seu desenvolvimento intelectual e emocional. Por cá, refira-se que o Presidente António José Seguro já promulgou a nova legislação que impede a utilização dos smartphones nas escolas até ao 9.º ano. Esta é uma luta um tanto desigual, porque se tem enfrentado o poder das plataformas digitais que têm recursos únicos, em especial os famosos algoritmos, para fixar audiências jovens.
Mas sobre o problema, uma importante notícia esteve em destaque esta semana. Falamos do acordo judicial histórico de 18 mil milhões de dólares (cerca de 15 mil milhões de euros) entre a Meta, dona do Facebook e Instagram, e uma coligação alargada de procuradores-gerais de 29 dos estados americanos, unindo no mesmo objetivo republicanos e democratas. Acusava-se a Meta de ter concebido o Facebook e o Instagram de forma a provocar o vício em crianças e adolescentes. A empresa comprometeu-se a reformular as suas aplicações e a implementar medidas de segurança severas para utilizadores menores de 18 anos.
Em resultado deste acordo, nos EUA muita coisa vai mudar na relação dos jovens com as redes sociais. Destacam-se a obrigatoriedade do limite de tempo diário em duas horas de utilização, que só pode ser estendido ou desativado com autorização expressa dos pais. Bloqueio completo do acesso às plataformas entre a meia-noite e as 6h da manhã. Silenciamento total de notificações durante as horas de aulas. O fim das métricas de vaidade: contadores de “gostos” () e reações ocultados por defeito nas contas de adolescentes. E finalmente um feed sem algoritmos, com uma cronologia que não seja manipulada pelos algoritmos de recomendação da Meta.
Parte significativa da verba acordada será utilizada em programas de prevenção e tratamento de problemas de saúde mental entre crianças e adolescentes. São medidas a serem implementadas em território americano, mas a Meta já garantiu que as vai alargar a todo o Mundo, o que vai ao encontro das reivindicações da Comunidade Europeia.
Como previsivelmente esta política vai ser alargada aos restantes operadores de plataformas, como o TikTok e YouTube, será uma decisão histórica para defesa da sanidade dos jovens e um passo importante na construção de um futuro com cidadãos mais críticos e empenhados, numa sociedade onde poderá não ser tão fácil disseminar as fake news.

02/09/2026
 

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