Edição nº 1961 - 2 de setembro de 2026

Câmara de Idanha está contra o prolongamento de vida da Central Nuclear de Almaraz

A Câmara de Idanha-a-Nova revela, em comunicado, “grande preocupação face a decisão do Governo Espanhol de prolongar o funcionamento da Central Nuclear de Almaraz até 8 de junho de 2030”.
A autarquia considera que “adiar o encerramento de uma infraestrutura com mais de quatro décadas de atividade representa uma ameaça ambiental, económica e de segurança latente para toda a Beira Baixa, a Região e o País, e em particular, para o Concelho de Idanha-a-Nova”. No comunicado é recordado que “localizada a escassos 100 quilómetros da fronteira portuguesa e dependente diretamente do Rio Tejo para a refrigeração dos seus reatores, a Central de Almaraz constitui um fator de risco inaceitável. Por isso, a Câmara de Idanha-a-Nova não pode pactuar com a manutenção de um modelo energético assente no risco nuclear”.
Nesta matéria é realçado que “qualquer falha técnica ou acidente na Central teria consequências catastróficas e irreversíveis para o caudal do Rio Tejo, destruindo os ecossistemas, contaminando os recursos hídricos vitais e desferindo um rude golpe na agricultura, no turismo e na qualidade de vida das populações que dependem diretamente desta bacia hidrográfica”.
Por isso, “face à gravidade desta decisão unilateral”, a Câmara de Idanha-a-Nova “exige que o Governo de Portugal assuma uma posição firme, junto de Madrid e das instâncias da União Europeia”, uma vez que “é urgente travar este prolongamento e fazer valer o princípio da precaução e os tratados internacionais de segurança ambiental transfronteiriça”.
A autarquia reafirma que “o futuro da Península Ibérica deve ser desenhado exclusivamente com base nas energias renováveis e limpas, e não na extensão artificial da vida útil de reatores nucleares de segunda geração que já cumpriram o seu ciclo”, pelo que “continuará a articular esforços com os municípios vizinhos, organizações ambientalistas, com a Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa (CIMBB) e movimentos de cidadãos para contestar esta medida por todas as vias institucionais e políticas disponíveis”.

02/09/2026
 

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