FESTIVAL ORGANIZADO PELA HISTÉRICO - ASSOCIAÇÃO DE ARTES
Quatro filmes premiados no Gardunha Fest. 2026
O Festival de Cinema Gardunha Fest. realizou a oitava edição, com a distinção de quatro filmes, na temática do paranormal. O filme português Tardo, de Carlos Calika, foi o vencedor de dois prémios, o do público e a categoria Nacional. Tal como na edição de 2024, que também venceu na categoria Nacional, contou com atores da Ajidanha - Associação de Juventude de Idanha-a-Nova e do Teatro Amador de Pombal.
Sob organização da Histérico - Associação de Artes, em colaboração com a Câmara do Fundão e o apoio do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), esta iniciativa teve como mote Mais que um Festival de Cinema e decorreu de 28 a 30 de agosto, no Fundão.
Ana Morphose, de João Rodrigues, de Portugal, arrecadou uma meçam honrosa.
“A personagem desta animação é uma menina. A curta é completamente desprovida de diálogos ou voz off e depende totalmente da ação para desenvolver a narrativa. A história de uma menina que, ao resolver problemas do quotidiano e ultrapassar obstáculos, acaba por se transformar fisicamente nos objetos em cena. Mas cada solução traz um novo problema. Um filme de animação completamente desprovido de diálogos ou voz off, que depende totalmente da ação para desenvolver a narrativa. Segundo o realizador João Rodrigues, em colaboração com a artista e construtora Sandra Neves, durante mais de um ano testaram-se materiais e novas formas de os utilizar, de forma a estabelecer a estrutura pictórica e o universo que possibilitaram a criação deste filme. Construíram bonecas de silicone com armaduras de aço e criaram cabelos e cabeças animadas com expressões faciais. Construíram papel articulado e cruzaram brinquedos óticos com esculturas para criar zootrópios esculpidos com flipbooks, onde se pode animar uma personagem em volume, originando assim várias camadas de animação. As técnicas utilizadas neste projeto não são apenas meios de contar a história, mas também fazem parte da própria história. Assim, estas técnicas de animação distintas estão entrelaçadas com o conteúdo narrativo e, em consonância com esta estética, a personagem tem uma forma distinta de se mover em cada etapa da sua jornada”.
Já o filme Capitão Camões, de alunos do 8.ºA do Agrupamento de Escolas Carlos Amarante, de Braga, sob a orientação de Paulo D’Alva, venceu a categoria Nacional -18 anos.
“Através da imaginação, uma narrativa divertida, mas também educativa, num trabalho de alunos de 12 a 13 anos do 8.º ano do Agrupamento de Escolas Carlos Amarante, em 2025, que a escreveram e realizaram. Uma curta-metragem de cinema de animação que traz uma perceção bastante original de uma história que envolve piratas e aventura. Esta obra é uma interpretação artística da vida e obra de Luís Vaz de Camões, explorando momentos marcantes do percurso do poeta através da linguagem expressiva da animação. Integrada no domínio do Recuperar com Artes e Humanidades (PRA), a iniciativa contou com a participação ativa de alunos e professores de vários níveis de ensino do Agrupamento, promovendo o conhecimento da herança literária e cultural portuguesa junto da comunidade educativa”.
O Prémio Público Gardunha Apartments foi para o filme Tardo, de Carlos Calika, que também foi o vencedor na categoria Nacional.
O realizador vencedor na categoria Nacional em 2024, com o filme Monstros, concorreu desta vez com um filme envolto em mistério, crenças, superstições e medos, de um povo ou comunidade que tem a crença popular e a religiosa como salvação ou castigo. O filme tem uma fabulosa fotografia, tendo sido filmado em terras do Concelho de Idanha-a-Nova, nas Aldeias Históricas de Idanha-a-Velha e Monsanto. Com uma excelente interpretação dos atores da Ajidanha - Associação de Juventude de Idanha-a-Nova e do Teatro Amador de Pombal.
Na entrega dos dois prémios, Carlo Calika afirmou que “é a segunda vez que participo no Gardunha Fest., a trabalhar com a Ajidanha e com o Teatro Amador de Pombal. Com produções de baixo orçamento, mas de grande paixão, mesmo assim conseguimos fazer coisas positivas. É uma honra enorme ser novamente premiado”.
Na categoria Internacional, o vencedor foi o filme Ensayo sobre la estupidez, de JK Alvarez, de Espanha.
O filme é “uma fábula irónica sobre a ascensão do populismo político e a normalização de discursos simplistas e perigosos. Combinando a atuação ao vivo com imagens geradas por computador e com o auxílio de inteligência artificial (IA), esta curta-metragem reflete sobre a forma como as mentiras são construídas, a fragilidade da consciência coletiva e a nossa responsabilidade de não ignorar a realidade e procurar a verdade”.
JK Alvarez afirma que “o Ensaio sobre a Estupidez surgiu de uma preocupação muito específica: o avanço do populismo político em diferentes partes do Mundo e a normalização de um discurso simplista e perigoso. O filme combina a ação ao vivo com imagens geradas por computador e inteligência artificial. Visualmente, o filme procura uma Madrid reconhecível, mas simbólica, utilizando locais em Valdebebas e Gran Vía para criar um contraste entre o artificial e o quotidiano, o plausível e o grotesco. O protagonista do filme dá vida à personagem com uma notável precisão cómica; a montagem e o som tornaram-se partes centrais do processo de escrita, definindo o ritmo, as pausas e a ênfase dentro do estrito tempo de duração de três minutos e meio. Em última análise, o filme não é apenas uma crítica ao populismo, mas também uma reflexão sobre a construção de mentiras, a fragilidade da nossa consciência coletiva e a responsabilidade do cinema em não desviar o olhar”.