Edição nº 1967 - 14 de outubro de 2016

Antonieta Garcia
POR ONDE ANDA O JUÍZO? SÃO DOIDOS? MEDIQUEM-NOS!

Aquelas criaturas que vemos a toda a hora projetadas nos écrans não inspiram confiança a ninguém. Manifestam um poder excecional; doidos varridos apostaram em destruir pilares do nosso mundo…. Sejam deuses, heróis, uns não, outros têm dias, momentos, que não permitem viver sem insónias ou pesadelos. São terríveis as noites brancas.
Deixemo-los na pequenina feira de vaidades, arrogantes, tão cheios de si, que incham, incham, incham… como se anjos e deuses os quisessem adicionar para medrarem, à tripa forra. Muitos veneram-se mutuamente.
Há registos de gente que gerações e gerações gravaram o seu nome pela dádiva e capacidade de bem fazer.
Os tempos eram outros. Muita miséria, poucos medicamentos; ouvia-se e via-se o ter frio, o calor a calar a fala atordoada e atormentada pelo desejo de viver. As memórias do calor calam alembranças.
Não chegavam as preocupações com incêndios, cheias, furacões e vendavais, os delitos do Daesh, e outros… para assegurarem noites de pesadelo. Acorda-se diariamente com o credo na boca, não há sonhos, as aleivosias são de bradar aos céus. Olhamos para as desgraças da guerra, ocultamo-nos como podemos, abdicamos…. cada vez mais sós, portas abertas ao medo.
Muda o vento, tarefa divina, há gente que se entrega a Lucifer ou Satanás e vão perdendo luz…
Há um ruído permanente de rapazelhos velhos que cercam temas e falam de mais. Donald, de falta de graça, envenena relações, elogia os salazarentos, quer, pode e manda. Se necessário, dá o dito por não dito, enquanto se adapta e acomoda, forja significações para novos discursos; vaidosíssimo, apregoou ouvir-se a ideia de criar o seu Ministério da Semântica Verdadeira. Serve para quê? Será como disser, quem manda. Anunciou, para que constasse, que também ele distinguirá a comparência pessoal, na pena de morte… Para castigar condenados…
Delira, quando assina um livro volumoso, oficial, com caracteres quilométricos (cada folha, cada assinatura); pretensioso, exibe-o como documento .... Voam palmas; os aplausos às letras ora se empinam, ora descem, à direita e à esquerda…. O penteado padrão…
Além de outras referências, Donald identifica-se pelo enfeite: um tapete no cocuruto da cabecinha ou um boné vermelho raspadinho dos lados… Quem imita o corte político como lembram as fotos de velhos ditadores? Disputam-se:
- O meu cabelo é mais moderno!
Nós diremos, são uma ameaça.
Multiplicam-se problemas para resolver no mundo; ainda há jovens que selecionam lenhas para se queimarem e agravarem a frágil condição da vida humana.
E foi lançado mais um míssil, um drone e treme a terra, morrem apaniguados…. Estão exaustos:
- Somos os melhores.
- Melhor? Sou eu. - Garante Donald.
Nem os cachopos pequenos argumentam com tal penúria de raciocínio!
Estamos doentes de poder!
Nomeiem e demitam militares… Para avaliar valentias. Acusem-se, entendam-se, peçam desculpas… Narcisistas, sabem como a guerra envelhece... e destrói.
Profetas da desgraça aceitavam que a dificuldade da vida exige ânimo; os vírus roubam anos… Mas nem falta trautear um fado canalha que não lembrava ao Diabo.

14/10/2026
 

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