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Primeiro deixaram-se capturar pela finança e nós não reparamos.Agora foram eles que capturam o futebol e nós estamos distraídos.Tempos houve que para se chegar a deputado era importante ser dirigente de um clube de futebol.Passou de moda e nós não ligamos.Hoje em dia é vê-los desfilar pelos canais de televisão como comentadores de futebol.E nós vimos e ouvimos impávidos e serenos.Para nossa tristeza “aparecem em casa” comentando o que a muitos deles nem no parlamento deixam falar quanto mais comentar.Nas televisões como comentadores políticos ou desporti-vos falam, falam e o resultado está bem há vista. Mas esta promiscuidade manipuladora de massas continua como se de grave nada se passasse.Grave é serem comentadores com clara dedicação a um clube.Na maioria dos casos esses clubes são considerados associações de utilidade pública que paralelamente são sociedades (Sad) e recebem dinheiros públicos.Ora todas estas situações afetam a credibilidade de quem é eleito para gerir o país.Não há recato nem sentido de estado. Ao mesmo tempo todos vamos ouvindo falar de populismos ou favorecimentos indevidos.Será que Assembleia da República não legisla para por cobro a esta promiscuidade?Será que o Tribunal Constitucional não vê que há aqui uma afronta à democracia?Será que o Tribunal de Contas que fiscaliza os dinheiros públicos que vão parar aos clubes, não vê aqui nenhuma ilegalidade? E o Senhor Presidente da República não verá que estas situações são factores que desacreditam a democracia e os actos que lhe são inerentes?Vamos todos dizer ao mundo.A.Garrido, Julho de 2019