João Carlos Antunes
Apontamentos da Semana...
ACONTECEU POR ESTES DIAS o início do segundo mandato presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa. Eleito com uma maioria confortável, a confirmar que ele consegue ir bem mais além do eleitorado de centro direita, a sua casa natural, e atrair o eleitorado da esquerda, em especial do Partido Socialista, porque nos quatro anos do mandato já cumprido, colocou a estabilidade política acima das eventuais tentações de clivagens ideológicas. Esta cooperação entre os dois órgãos de soberania, a base da estabilidade política essencial para a confiança dos mercados, o desenvolvimento do País e agora para o combate contra a pandemia, dá a volta à cabeça a muito boa gente. Acreditam que Marcelo 2.0 será diferente da versão 1.0. Porque sim, porque é habitual nos presidentes. Porque agora já não precisa de conquistar eleitores, como se tal fosse preocupação para Marcelo, vai ser mais crítico para com governo, talvez coloque algumas cascas de banana no caminho de António Costa e que não desdenhará por uma crise qualquer que tire do poder o governo socialista. Algum comentador e analista político, que adoram fazer do seu desejo, realidade, já esmiúçam nas palavras ou na ausência das palavras do Presidente, o tal grão de areia que irá fazer emperrar a máquina governativa, como aconteceu agora com o Plano de Desconfinamento apresentado ultima quinta e que teria o desacordo do presidente manifestado a António Costa num jantar só com a presença dos dois e com resultados apresentados na primeira página de um semanário. Querem melhor veneno? Ou a equipa de novos assessores que teriam sido por ele escolhidos a dedo para fiscalizar a aplicação dos dinheiros a rodos que hão de chegar a tiro de bazuca. Contudo, nós que nestas coisas não costumamos ler os astros, parece-nos que os desejos deverão ser guardados numa gaveta, porque é claro como água que, pela sua parte, só numa situação de evidente gravidade o Presidente retirará a confiança política ao Primeiro Ministro. Será um mandato sob o signo da continuidade, o sinal até já foi dado com a audiência com o Papa a marcar o início do segundo tal como tinha sido o primeiro. Logo que a crise pandémica termine, vamos voltar a ver o presidente dos afetos nos beijinhos e abraços, mas sem resistir a umas alfinetadas aqui e ali. E a contribuir para o sucesso do governo nas tarefas de recuperação, porque o seu entendimento é de que o sucesso do governo será sempre o sucesso do País.
COMEÇOU ESTA SEGUNDA-FEIRA a primeira fase da aplicação de um plano de desconfinamento que será feito a conta gotas e seguido linhas que se forem ultrapassadas, resultará num travão à continuação do desconfinamento. Algo que ninguém quererá, pelo que, como lembrou António Costa e alguns especialistas, temos mesmo de continuar a ser cumpridores das regras em vigor. Para já, foi lindo, diria que emocionante, ver a alegria dos mais pequenos no regresso à escola e ao convívio com os amigos, a felicidade no rosto de quem já podia beber um café mesmo que fosse em pé, a mesma felicidade de se poder usufruir dos espaços verdes da cidade e descansar nos bancos da avenida. Mantendo, é claro, o devido distanciamento social, mas podendo ler ali um jornal ou um livro que já se pode comprar em qualquer livraria. A vida também é feita destes pequenos prazeres a que agora damos tanto valor.