Edição nº 1690 - 12 de maio de 2021

João Carlos Antunes
Apontamentos da Semana...

ACONTECEU NO PASSADO FIM DE SEMANA a Cimeira do Porto, com certeza o ponto mais alto da presidência portuguesa do Conselho da Comissão Europeia, uma presidência iniciada em janeiro e marcada fortemente pela pandemia e por um conjunto de peripécias que envolveram o processo de vacinação que até poderia ter desacreditado a capacidade de organização europeia, que pelo menos atrasou na corrida à imunidade de grupo, problema que parece estar finalmente ultrapassado, vencido que está o conflito com uma farmacêutica. De qualquer forma, fruto das circunstâncias ou por estratégia, tem sido uma liderança discreta a protagonizada pelo governo português. Um trabalho de bastidores sem grandes mediatismos e que culminou agora com o sucesso na  realização da Cimeira Social. A situação pandémica, francamente favorável em Portugal,  permitiu o encontro físico dos chefes de estado e governo da grande maioria dos países membros, o primeiro desde há muitos meses, facto que deu mais brilho ao evento. O Governo de António Costa conseguiu a proeza de colocar  as questões sociais  no centro do debate político  e viu os líderes europeus assumirem o compromisso  com a construção do  Pilar Europeu dos Direitos Sociais. É só um primeiro passo, mas necessário, para atingir as grandes metas, definidas na linha das tradições sociais da Europa e que ficaram aqui quantificadas. Como a de ter, até 2030, 78 % da população adulta empregada, ou a de garantir que 60% dos trabalhadores beneficiem de ações de formação anuais, para além da tarefa ambiciosa de tirar 15 milhões de pessoas da pobreza. Serão metas, algumas, difíceis de atingir? Serão, mas é de realçar que este plano foi definido também com o acordo das forças sociais, o patronato e os sindicatos. Agora os cidadãos esperam que se passe das palavras à ação, para que esta Cimeira seja considerada um marco na construção social da Europa. Outra aposta da presidência portuguesa foi o retomar, ao fim de oito anos de impasse, as negociações com a Índia, numa estratégia de posicionamento e reforço da influência no contexto mundial, importante numa altura em que as relações com a China e a Rússia se mostram difíceis e quando Biden recoloca os EUA no caminho do multilateralismo e com a Comunidade Europeia a ser vista como um parceiro importante. Foi uma aposta arriscada de António Costa, bem sucedida e que só não contou com a presença física do primeiro-ministro indiano devido à dramática situação epidemiológica em que o seu país vive.  Este sucesso negocial com a Índia levou mesmo Ursula von der Leyen a considerá-lo como um momento histórico. Tudo contribuiu para o reforço da credibilidade de Portugal e, se dúvidas houvesse, para lançar António Costa na corrida para o lugar de presidente do Conselho Europeu, agora ocupado pelo belga Charles Michel, caído em desgraça pelo humilhante caso do sofagate. Apoios importantes e públicos elogios não lhe faltam.

12/05/2021
 

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