Edição nº 1728 - 9 de fevereiro de 2022

Antonieta Garcia
IRMÃS...

A aprendizagem é longa! As mulheres sempre souberam, ao longo da história, refutados os seus direitos. A legislação desoculta avanços e recuos, mas os “amanhãs que cantam” continuam a esperar-se num futuro a haver.
Uma qualquer crise económica, política ou religiosa introduz alterações em leis que se julgavam adquiridas para todo o sempre. Certo é que, ao longo dos tempos, ganhámos e perdemos, sem que os pratos da balança garantam o equilíbrio.
Que é das lideranças? Como malsinar os retrocessos e anunciar a esperança de dias melhores? Quem apaga a dor das ofensas? Que dimensão têm de alcançar os danos morais, os gritos no feminino para se ouvirem no coração das cidades? Quantas lágrimas de angústia se enxugam, quando vemos crianças/filhos que voam para mãos desconhecidas de quem os recolhe? Onde está a terra afetuosa que procuramos?
- Irmãs, que todas o somos neste desenho ainda esboço de mulher... Quando edificaremos o sonho comum de fraternidade?
A soma de violência doméstica cresce; lutas coletivas e individuais acumulam-se. As instituições respondem timidamente à opressão e a preconceitos, a prática democrática adia-se.
Correm sem rumo certo rios de dias tristes; da nascente para a foz, somos peregrinas de uma fé na mudança e alvoroçamos amizade em qualquer amanhecer.
Simone de Beauvoir (1908-1986), em “O segundo sexo” (1949), pesquisou a condição feminina em diferentes momentos históricos; concluiu que as identidades de homens e mulheres são socialmente construídas. Então que é da partilha de direitos políticos com a outra metade da Humanidade?
O coro, mesmo silenciado, denuncia uma violência assustadoramente crescente.
E nascem-nos filhos e semeamos, em cada um, crenças que um dia hão de florir. Nascidos de nós, alguns serão senhores poderosos; têm nas mãos a possibilidade de definir o que querem para as mulheres, as mães, as filhas... Nascidos de nós, alguns tornam-se deuses, categorizam os pecados e proíbem, penalizam, destroem...
- Irmãs, que todas o somos neste desenho ainda esboço de mulher! Com quem partilharemos a construção da fraternidade?
A paquistanesa Malala Yousafzai, em 2013, disse: Uma criança, uma professora, uma caneta e um livro podem mudar o mundo! Foi baleada por desafiar o talibã, por defender o direito das mulheres à educação. Acrescentou: Não quero ser lembrada como a menina que levou um tiro. Quero ser lembrada como a menina que levantou a cabeça.
Cecília Meireles sabia: Não venci todas as vezes que lutei, mas perdi todas as vezes que deixei de lutar.
A aquisição de direitos não é definitiva. A História recente mostrou como se perdem, em dias, conquistas que levaram anos a erguer, a criar.
Entre os talibãs, o direito à educação é, de novo, um exclusivo dos homens. As mulheres foram afastadas de cargos públicos.... Na Arábia Saudita puderam votar pela primeira vez em 2015. Esperaram até 2018 para poderem conduzir. Mais: submetidas à tutela paterna, do marido, dos irmãos, a igualdade jurídica só foi formalizada em textos constitucionais do século 20.
O feminismo ainda é perseguido pelo Estado em diversos países; ativistas são presas, torturadas. A nova vitória dos talibãs vestiu a alma de tristeza, amarfanhou a revolta e a esperança. Mas são mulheres reais as que alvoroçam consciências e tempos. Vítimas de tempos árduos têm vidas duras, tecem ousadias que tornam visíveis resistências, dores e inquietações...
- Irmãs, que todas o somos neste desenho ainda esboço de mulher... Quem vem partilhar a construção da fraternidade?

09/02/2022
 

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