João Carlos Antunes
Apontamentos da Semana...
POR ESTES DIAS, temos Portugal com aumento de mais de 10 por cento de gentes a habitá-la, com a particularidade de a grande maioria ser gente jovem. Serão mais de milhão a participar na Jornada Mundial da Juventude (JMJ), o maior evento religioso que já se realizou em Portugal, que já recebeu a Expo, em 1998, e o Europeu de futebol, em 2004.
Na realização dos anteriores grandes eventos, foram feitos enormes investimentos e se no caso da Expo, ainda hoje há uma unanimidade sobre os bem visíveis benefícios posteriores, a transformação de uma zona de Lisboa atafulhada de contentores e armazéns que escondiam a beleza do Tejo e que hoje é usufruída pelos lisboetas e visitantes. Diferente foi o Euro2004, que resultou num conjunto de estádios megalómanos, um autêntico desperdício de recursos públicos, que ficaram sem préstimo e custos elevados de manutenção para as autarquias.
Agora, também algumas vozes se levantam contra os milhões gastos pelo governo e pelas autarquias envolvidas na organização da JMJ., alegando a laicidade do estado. Mas, mesmo que as críticas sejam legítimas, julgo que a grande maioria estará de acordo que esta é uma oportunidade única de fazer reunir em Lisboa e em centenas de paróquias de norte a sul, jovens católicos de mais de 180 países que durante uma semana vão descobrir Portugal, refletir sobre os problemas que estão a afetar o Mundo, em particular, a guerra, passando necessariamente por aquilo que a Igreja não pode esquecer e que o Papa Francisco, na sua bondade e fraternidade, não quer varrer para debaixo do tapete. É o poder estar junto do Papa, uma das principais motivações dos jovens que por estes dias e principalmente a partir de hoje, dia 1 de agosto, enchem de alegria e cor os espaços de Lisboa. E para além das memórias que ficam, das imagens de Portugal e Lisboa que os milhares de jornalistas e as televisões vão espalhar pelo Mundo, ficam também as infraestruturas agora criadas para futuro usufruto de todos, como aconteceu no Parque nas Nações.
Tal como nos anteriores grandes eventos, confiamos que a nossa capacidade de organização e a inata capacidade de desenrascanço, faça levar o barco a bom porto. Para benefício de todos. E junto o bom senso agora manifestado pelas duas partes em conflito na CP que levou ao cancelamento da greve num meio de transporte que terá também um papel tão importante no sucesso da JMJ. Eram já muitos meses de luta, que julgamos justa, que afetou a linha da Beira Baixa, como o resto da rede ferroviária nacional. Os mais de 1800 comboios intercidades suspensos durante este período fez com que, nas minhas visitas regulares a Lisboa, eu como muitos Albicastrenses tivéssemos que utilizar a opção B, rodoviária. Foi bom que o acordo tivesse sido conseguido, pena que tivessem sido necessário tanto tempo e tantas perturbações no dia a dia dos utentes.