Edição nº 1925 - 17 de dezembro de 2025

João Carlos Antunes
Apontamentos da Semana...

JÁ VISITEI os cerca de 1200 pais natais expostos na Sala Polivalente do Centro de Cultura Contemporânea. Gostei de ver a grande variedade de tipos de figuras e acessórios que representam esta personagem que vive no imaginário das crianças e na publicidade que nos conduz ao consumismo “próprio” da época. A popularidade e massificação do velhote das barbas brancas que vem do polo norte para distribuir prendas pelas crianças é relativamente recente. Só a partir dos anos 70 e 80 o Pai Natal vai substituir o Menino Jesus, que até aí tinha essa tão nobre tarefa. Era assim na nossa região por maioria de razão, porque a globalização ainda era tímida e as Beiras estavam distantes do litoral urbano, onde as novidades chegavam primeiro.
Tem impacto a beleza e colorido da exposição, mas gostaria muito mais que naquela sala estivessem presépios, e tão variados e belos existem em tantas famílias albicastrenses. Porque a tradição beirã dita que pelo natal é o presépio, feito com musgo e com as figuras de Maria, José e, claro, o Menino Jesus na manjedoura deitado. Desde os tradicionais, com todas as figuras e bardos feitos com magões, até aos mais estilizados, alguns com assinatura dos artistas que os criaram. Sem esquecer os presépios mecânicos, seria muito importante recuperá-los. Lembro-me bem do presépio em movimento, que todos os anos atraía muitos albicastrenses ao antigo albergue, na Rua dos Chões, onde agora é a Casa de Infância e Juventude. Um presépio assim, acredito que esteja guardado algures num qualquer sótão, tenho a certeza que levaria ainda muito mais albicastrenses ao CCCCB e faria as delícias de crianças e adultos.
Na manhã do dia de Natal, na minha casa era o primeiro a levantar. E ia logo à lareira da cozinha do quintal onde fazíamos os serões. A minha preocupação seria que o Menino Jesus, sendo omnipresente, me conhecesse alguma maldade ou mau comportamento e eu encontrasse no sapatinho deixado junto à lareira, o temido carvão, a prenda para quem se portava mal. Nunca aconteceu, sempre havia uns chocolates e rebuçados, ou algum par de meias que nunca eram de mais, pensaria o Menino Jesus, tão pequenino e já tão pragmático. Mas também podia merecer algum carrinho de folha, ainda guardo até hoje uma mota com caixa atrás. E era à volta do resto do borralho da lareira que os meus pais me iam encontrar de manhã, já a atacar os chocolates que naqueles anos não abundavam tanto como agora. E claro que me lembro de um ano o Menino Jesus me ter presenteado com um triciclo que, desconfio, seria em segunda mão. Mas parecia forte... Foi uma alegria para mim e para os meus amigos e companheiros de brincadeiras, Chico Duarte e Tonho Domingos, que infelizmente já cá não estão. Nos dias seguintes o triciclo não parou, usado à vez. Na descida que termina na Fonte Perto, era ver-nos em alta velocidade. Uma das vezes, o Chico Duarte não controlou a viatura, alimentada com a energia dos que empurravam atrás. Desarvorada, foi contra o muro da Fonte e lá se foi o triciclo que durou menos de uma semana, agora feito em dois... E foi de tudo isto que me lembrei quando entrei pela nostalgia do natal beirão adentro.

17/12/2025
 

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