Luís Maia mobiliza as Beiras para a necessidade de uma “comunicação eficaz”
A Câmara de Comércio da Região das Beiras (CCRB) promoveu, dia 21 de fevereiro, no Fundão, uma masterclass de Media Training conduzida pelo jornalista da SIC e formador Luís Maia, reunindo líderes institucionais, empresários e representantes associativos para refletir sobre comunicação estratégica, influência e afirmação da Região Centro de Portugal.
A iniciativa decorreu no auditório da Caixa de Crédito Agrícola do Fundão e colocou a comunicação profissional no centro do debate sobre os desafios contemporâneos enfrentados pelas regiões do Interior, num contexto de crescente exposição mediática e exigência reputacional.
Ao longo da sessão foram abordados temas centrais como a comunicação eficaz, a gestão de situações de crise, o controlo de narrativas, o desenvolvimento de presença e autoridade e a comunicação orientada para o exercício de influência, numa abordagem prática e aplicada à realidade institucional e empresarial do Interior do País.
Luís Maia sublinhou ser “impossível viver sem comunicar”, razão pela qual “convém comunicar bem”, defendendo que a comunicação deve ser encarada como uma competência treinável”.
Acrescentou que “tal como procuramos um médico quando temos um problema de saúde, também devemos treinar quando enfrentamos um desafio de comunicação”, alertando para os riscos reputacionais de uma comunicação improvisada.
O formador destacou ainda que “85 por cento das pessoas admitem ter receio de falar em público, mas quase ninguém procura ajuda, o que não faz sentido”.
O evento teve como objetivo uma estratégia mais ampla de valorização das Beiras, procurando dotar os agentes locais de ferramentas que reforcem a capacidade da região para comunicar com “clareza, credibilidade e impacto”, contribuindo para uma “afirmação mais consistente no plano nacional”.
Para a presidente da CCRB, Ana Correia, “comunicar é uma ferramenta de trabalho cada vez mais fundamental”, sendo esta masterclass um contributo concreto para capacitar empresários, docentes e dirigentes.
“Aquilo que nós pensamos trazer para as Beiras é dar essa ferramenta aos empresários, aos docentes, a quem realmente quiser aproveitar esta masterclass que, no fundo, é um treino para que as pessoas possam, em público, falar, dominar, saber controlar o seu stress e saber, sobretudo, passar a mensagem”, salientou, considerando que a sessão “superou largamente as expectativas e marcou um dia excecional para a comunicação nas Beiras”.
Também Pedro Ramos, CEO das empresas Dale Carnegie em Portugal e da Rharo by Group Talent no Brasil e vice-presidente da CCRB, sublinhou a relevância estratégica da formação, afirmando que “temos a tendência de complicar, quando comunicar bem passa por saber simplificar”.
Para este responsável, a grande mais-valia do media training reside em “aprender a simplificar atendendo a quem é o meu interlocutor, qual é a narrativa que eu tenho para construir e, depois, qual é o storytelling, ou seja, como é que eu vou contar a história a esse interlocutor”, ressaltando que esta abordagem é essencial para a missão da Câmara de Comércio em “trazer o Mundo às Beiras e de levar as Beiras ao Mundo”.
A visão externa sobre o potencial da região foi reforçada por Wilson Bicalho, advogado e empresário com ligação ao estado brasileiro de São Paulo, e que tem investido na região. Wilson Bicalho considera que “as Beiras são uma das regiões com maior probabilidade de sucesso para empresas brasileiras”, destacando o acolhimento, as oportunidades de negócio e a qualidade da mão de obra formada na Universidade da Beira Interior.
“Quem vem a Portugal tem de vir às Beiras. É outro Portugal, muito mais intimista, muito mais recetivo e muito mais interessante de se conhecer do que qualquer outro sítio de Portugal”, afirmou.
Já o escritor João Morgado explicou que a centralidade da comunicação é parte crucial no sucesso pessoal e profissional, lembrando que “podemos ter boas ideias, mas se não as soubermos comunicar, elas não acontecem”.
Para João Morgado, a sessão serviu como um alerta para a responsabilidade comunicacional num mundo cada vez mais mediático, considerando que a intervenção de Luís Maia “abriu-nos o apetite e despertou-nos para a responsabilidade da comunicação”.