EM CAUSA O FINANCIAMENTO DA ASSOCIAÇÃO QUATRO CORAÇÕES
Festival Mais Solidário cancelado por “falta de apoios”
A Associação de Apoio Quatro Corações, organizadora do Festival Mais Solidário, avança, em comunicado, que a quinta edição do evento, prevista para este ano, está cancelada, “por falta de apoios”, vendo-se “obrigada a reestruturar o financiamento das suas atividades na ausência daquela que era uma das principais fontes de receita da instituição” e realça que “a cidade perde não apenas um festival de três dias, mas um símbolo de união e uma fonte de sustento para muitas causas solidárias locais”.
Iniciado em 2022, o Festival Mais Solidário, segundo a Associação “rapidamente consolidou-se como uma referência na região Centro do País, não apenas pelo impacto social, mas também pela capacidade de envolver toda a comunidade, de associações locais a emigrantes Albicastrenses espalhados pelo Mundo. Durante três dias de música, arte e solidariedade, milhares de pessoas reuniam-se em Castelo Branco para celebrar a cultura e a entreajuda. Em 2025, por exemplo, o Festival juntou mais de 25 mil visitantes ao longo do fim de semana, contando com o contributo altruísta de 350 voluntários e o envolvimento de cerca de 150 empresas locais e nacionais”. Avança que “estimou-se que essa quarta edição gerou um impacto socioeconómico de mais de 1,8 milhão de euros na Região, dinamizando hotéis, restauração, comércio e serviços turísticos numa escala sem precedentes para um evento do Interior do País”.
Nesta matéria é destacado que “os números falam por si e ilustram a dimensão única deste festival solidário, com mais de 25 mil visitantes, em 2025; 350 voluntários e 150 empresas parceiras envolvidos na organização; 1,8 milhão de euros de impacto económico estimado na Região, em 2025; as receitas do Festival cobriram cinco meses da operação anual da Associação 4 Corações; 890 mil refeições servidas aos necessitados graças aos fundos angariados ao longo das edições; 100 refeições quentes diárias entregues em Castelo Branco, um esforço viabilizado em grande parte pelo dinheiro obtido fora da caixa, através do Festival”.
É também destacado o apoio a 25 associações locais, sendo que “só em 2025 foram distribuídos oito mil euros por duas dezenas e meia de associações da Região, reforçando o tecido solidário local”.
Perante estes números é frisado que o Festival Mais Solidário “era muito mais do que entretenimento. Era um pilar de suporte para causas sociais e economia da Região”.
Por tudo isto, para a Associação 4 Corações, “o cancelamento do Festival Mais Solidário em 2026 traz consequências dramáticas para os beneficiários da Associação 4 Corações e para a comunidade Albicastrense em geral”.
Hélder Martins, fundador da Associação 4 Corações, alerta que “sem o Festival, instala-se a incerteza sobre como serão mantidos os apoios alimentares e projetos sociais”, sublinhando que “o nosso resultado não é em euros. É em refeições”, bem como que “todos os dias há custos significativos para assegurar os fornecimentos gratuitos a quem precisa. Esse dinheiro tem de vir de algum lado, e nos últimos anos veio de pensar fora da caixa, através do Festival Mais Solidário”.
Agora, com a edição deste ano cancelada, segundo a Associação 4 Corações, “perde-se essa alavanca financeira e motivacional. Os utentes da Associação, idosos isolados, pessoas em situação de sem-abrigo, famílias de baixos rendimentos, receiam pelo futuro. A luz de esperança que brilhava a cada verão apagou-se, deixando no ar uma pergunta angustiante” e é questionado “quem assegurará agora o próximo prato de sopa quente, a próxima campanha de solidariedade, ou aquela visita de conforto que o Festival ajudava a patrocinar. A perda é igualmente simbólica para a comunidade local. O Festival não só apoiava diretamente os vulneráveis, como também unificava a cidade em torno de um propósito comum. Durante três dias por ano, Castelo Branco era destaque a nível nacional pela sua generosidade e capacidade de mobilização, chegou a acolher a Festa do Emigrante transmitida em direto na TVI, num tributo emotivo à diáspora portuguesa inserido na programação do Festival. Era um orgulho Albicastrense ver a sua terra associada a uma iniciativa tão positiva”, com a presidente, Ana Muralha, a afirmar que o Festival mostrava “um movimento de união, partilha e compromisso com causas que tocam vidas”.
Por outro lado é defendido que “sem o Festival Mais Solidário, a região da Beira Baixa perde também um motor cultural e turístico que trazia música, arte e dinamismo, contrariando a tendência de desertificação do Interior. Não haverá este ano de 2026, palcos cheios de vida, nem aquela onda de visitantes que enchia hotéis e restaurantes locais, nem a celebração coletiva de valores que fazia os albicastrenses sentirem-se parte de algo maior”.
Nos bastidores, a decisão de cancelar deste ano é atribuída “à falta de apoio necessário para manter de pé um evento desta envergadura” com a Associação 4 Corações, a admitir que “terá de recorrer a fontes alternativas de financiamento para continuar a sua missão em 2026. Entre as medidas previstas estão o reforço da campanha de consignação de IRS; parcerias com empresas, através do projeto Empresas do Coração; angariação de novos sócios e até a realização de eventos locais de menor escala para angariar donativos”.
No entanto, é ressalvado que “nenhuma destas iniciativas isoladas conseguirá, por si só, atingir o alcance do Festival Mais Solidário, um evento único que mobilizava uma cidade inteira em prol dos mais desfavorecidos”.
Garantido é que, “por agora, fica a história emocionante das quatro edições realizadas, uma história de solidariedade, de conquistas e de corações unidos. Mas fica também a promessa, ou esperança, de que esta não seja a página final. Castelo Branco perde o Festival Mais Solidário 2026, e com ele perde-se um pedaço do coração solidário da cidade. Resta saber se este coração voltará a bater com força no futuro”.