NOS 52 ANOS DO 25 DE ABRIL
Luta pela defesa da democracia continua
O Centro de Cultura Contemporânea de Castelo Branco (CCCCB) acolheu, no passado sábado, 25 de Abril, a habitual sessão comemorativa da Revolução dos Cravos, da Assembleia Municipal de Castelo Branco que, como habitualmente, contou com as intervenções do presidente da Assembleia Municipal de Castelo Branco, Valter Lemos, bem como as forças partidárias representadas neste órgão, havendo a registar que o Chega não o fez, ao que se juntou ainda a intervenção do presidente da Câmara de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues.
Valter Lemos afirmou que além dos 52 anos do 25 de Abril, também se comemorava os 50 anos da Constituição da República Portuguesa, sendo que “a liberdade chegou com o 25 de Abril e a ordem democrática em 1976. O 25 de Abril devolveu a liberdade aos Portugueses e a Constituição estabeleceu o regime democrático em Portugal”.
Valter Lemos, entre outros pontos, recordou que “havia censura” e Portugal era “um país triste, ignorante e pobre”, para alertar que “estamos numa altura em que aparecem arautos dessa tristeza”, pelo que “é preciso recordar o que era o Portugal desse tempo”.
Matéria em que reforçou que “Portugal era o país menos escolarizado da Europa”, sublinhado que “o brutal atraso do País não era só na educação”, mas em muitas outras áreas, para concluir que “Portugal mudou para muito melhor”.
Também João Ramos, do movimento Pessoas Em Primeiro (PEP) falou no que se alterou depois do 25 de Abril, dando, entre outros exemplos, a criação do Serviço Nacional de Saúde (SNS), o acesso à escola pública e as eleições livres, para assegurar que “todos os eleitos temos que defender estas conquistas, entre outras”, uma vez que “cumpre-nos a nós defender aquilo que eles conseguiram”.
Para Pedro Roque, da Iniciativa Liberal (IL), “celebrar o 25 de Abril não é cumprir calendário”, para avançar que “celebramos a recuperação da dignidade humana, quando celebramos o 25 de Abril”, manifestando “indignação por ainda haver quem queira branquear esse passado”.
Para Pedro Roque, “honrar o 25 de Abril exige também honrar o 25 de novembro”, sendo que os dois “não se anulam, completam-se” e de caminho aproveitou, relativamente à Revolução dos Cravos, para questionar o “que falta cumprir” e defender que “falta muito”.
Já Daniel Almeida, do Partido Socialista (PS), começou por deixar claro que “não vivi o silêncio, a censura, o medo, mas há aqui quem tenha vivido”, para destacar que “quando a memória desaparece o risco emerge”.
Daniel Almeida focou-se depois na “diferença significativa entre o antes e o depois” e admitiu que “a liberdade não resolveu tudo, mas tornou possível resolver” e apontou para “a dignidade que abril nos trouxe”.
Pela Coligação SEMPRE Por Todos, Armando Ramalho referiu-se ao 25 de Abril como “uma data da nossa história coletiva”, bem como “o fim de um caminho de opressão”, para se referir ao “compromisso presente com os valores que abril nos trouxe. A Revolução dos Cravos abriu portas que durante décadas estiveram fechadas”, para defender, por isso, que o 25 de Abril “é uma herança que hoje temos o dever de honrar”, tanto mais que “a democracia não é um dado adquirido, é um processo contínuo que se constrói todos os dias”.
Armando Ramalho alertou que “hoje, mais do que nunca, enfrentamos desafios exigentes”, sendo que “responder a estes desafios exige visão, mas também muito rigor, proximidade com as populações e coragem para tomar as decisões difíceis, mas também olhar para o futuro”.
Questionou, por outro lado, “que democracia queremos deixar às futuras gerações”, para frisar que “mais que uma comemoração, esta data seja um momento de reflexão e renovação de compromissos”.
O presidente da Câmara, Leopoldo Rodrigues, a exemplo de Valter Lemos, também salientou que se “comemoram os 52 anos do 25 de Abril e os 50 anos da Constituição da República Portuguesa. Com a Revolução veio a liberdade e com a Constituição instauramos a democracia”.
Tudo isto para assegurar que no “contexto atual a Constituição assume toda a sua relevância”, porque “nela encontramos garantias que travam excessos”.
Noutra perspetiva sublinhou que “quando se desacredita a política e o seu exercício se enfraquece a democracia”, apontando para “discursos que pretendem a erosão da democracia”.
Leopoldo Rodrigues recordou também a censura da qual a Comunicação Social era alvo, com referência aos presos por este motivo, considerando que “só não havia mais, porque, no fim de 48 anos, o medo tinha calado muitos” e rematou que “não nos cansaremos de lutar em defesa da democracia”.
António Tavares