António Tavares
Editorial
Depois de no passado sábado se terem comemorado os 52 anos do 25 de Abril, na próxima sexta-feira, será a vez de comemorar o 1.º de Maio, o Dia do Trabalhador. Uma data que é comemorada precisamente quando está na ordem do dia a proposta de revisão da lei laboral, para a qual as negociações, pelo menos até agora se têm revelado infrutíferas.
A proposta do Governo tem sido liminarmente rejeitada pela União Geral de Trabalhadores (UGT), que denuncia retrocessos para os trabalhadores, num país em que, infelizmente, muitas vezes ter trabalho e salário já não é o suficiente para viver, sendo apenas possível sobreviver.
E é fácil perceber porquê. Em Portugal o salário mínimo nacional é de 920 euros brutos mensais e é com esse montante, depois de retirados os descontos, que cada um tem de pagar rendas de casa que facilmente chegam aos 500 ou 700 euros, sendo que o pouco que resta tem que dar para a alimentação, o vestuário e tudo o resto, que também atinge valores exorbitantes.
Depois há os reformados, que depois de vidas inteiras de trabalho, recebem, em muitos casos, uns insignificantes 400 euros mensais, quando por outro lado, há outros, que ainda em idade ativa se retiram, com reformas de milhares de euros mensais.
Tudo isto dá que pensar e, sem qualquer ideologia política envolvida, não resta a menor dúvida que há por aí muitos que deveriam ler o livro A Condição Humana, de André Malraux.