Lopes Marcelo
O PROJECTO MAIS QUERIDO
Na sequência de termos abordado a personalidade e a opção pela arqueologia de Francisco Tavares Proença Júnior, referimos hoje as circunstâncias em que surgiu e a dedicação que atribuiu ao seu mais querido projecto: A criação do Museu de Castelo Branco.
A primeira referência, surgiu em 1903 numa carta de resposta ao seu mestre Prof Leite de Vasconcellos, director do Museu Etnológico Nacional:
“Vejo na carta de V. Exª que descobriu na minha imaginação a ideia de fundação de um museu em Castello Branco […]é que todas as pesquisas e excursões que tenho feito são apenas com o fim de reunir materiaes para a fundação desse museu”.
No Congresso de Pré-história realizado no Mónaco em março de 1906, Francisco apresentou a comunicação:“Eduard Piette-algumas palavras a seu respeito”. O seu testemunho sobre este eminente arqueólogo francês que falecera recentemente e com quem Francisco se tinha correspondido, teve cunho de sincera homenagem. Salienta-se que Piette havia doado a sua grande colecção de espécimes ao Museu Nacional de Antiguidades Francesas de Saint-Germain. No exemplo deste seu mestre e amigo terá Francisco reforçado a motivação para o seu mais querido projecto da criação de um museu em Castelo Branco.
Em Julho de 1907, em carta ao pai, Francisco manifestava auto-confiança e procurava atenuar a má reacção paterna ao seu abandono dos estudos jurídicos, afirmando:
- “Ainda um dia Castello Branco há.de ter um museu municipal e ainda, talvez um dia, aí se reúnam os sabichões numa espécie de Congresso de Arqueologia”.
Em Março de 1908, em carta endereçada ao Presidente da Câmara Municipal, Dr. Manuel Pires Bento; apresentou a sua proposta, oferecendo a sua colecção e disponibilizando-se gratuitamente para organizar o museu, indicando a Capela do Convento de Santo António para a respectiva instalação.
Em Março de 1910, Francisco escrevia ao pai que, pouco a pouco, reconhecia os méritos do filho:
- “Precisava pois que o papá consentisse que ahi na oficina fizessem mais 2 ou 3 estantes que me são necessárias. Parece-me forte pedir os armários à Câmara, principalmente neste caso em que se trata de coisas exclusivamente minhas e de minha iniciativa. Bem basta à Câmara o que já gastou nas obras e já isso foi motivo suficiente para ahi darem ao badalo, até os nossos amigos…”
A inauguração do museu ocorreu a 17 de Abril de1910. A Gazeta da Beira noticiava: “Muitas centenas de indivíduos de todas as classes sociais lá foram ver e admirar os restos de civilizações extintas, recolhidos à força de muito trabalho, muita pasciência e avultadas despesas […]. O ilustre Director-Fundador do Museu insistentemente pediu que não se fizesse festa, que apenas se avisasse o público por meio de editais.
O jornal O Século de 20 de Abril, na coluna de Melhoramentos Locais, publicou uma reportagem datada de 18 de Abril, com a fotografia de Francisco no recém inaugurado Museu,à sua secretária de trabalho, rodeado de várias peças arqueológicas que aqui se reproduz.