João Carlos Antunes
Apontamentos da Semana...
ESCREVI HÁ TRÊS SEMANAS nestes apontamentos, que ao fim de 40 anúncios de fim de guerra declarados por Trump e outros tantos desmentidos pela realidade, parecia que o Mundo finalmente respirava de alívio porque a paz estaria mesmo para muito breve. Seria mesmo assim, seria certo o fim da guerra, perguntava eu, mesmo que otimista por natureza e modesto analista de trazer por casa.
Nem três semanas estão passadas e confirma-se, infelizmente, que aquele memorando com meia dúzia de ideias vagas para um entendimento entre as partes, era um mundo de debilidades e incertezas. Se os pontos do memorando como estavam redigidos, já por si davam para entendimentos diferentes, de acordo com os interesses das partes, a falta de paciência de Trump para negociar e praticar a diplomacia fez reacender o conflito, ao ponto de fazer o documento parecer escrito na areia. E o pior pode sempre acontecer quando as partes são, por um lado os líderes iranianos, déspotas cruéis, mas estrategas já muito curtidos em guerras e que sentiam estar da posse das melhores cartas (como o Trump gosta de parabolizar) e pelo outro lado um líder imprevisível, com índices de popularidade interna historicamente baixos e, aparentemente, a tomar decisões por impulso.
Resultado: volta a fechar o estreito de Ormuz, os mercados financeiros voltam a dar um trambolhão, refletido no preço do petróleo a subir. Todos nós sofremos os efeitos desta guerra estúpida e mal delineada, com o aumento das taxas de juro, subida da inflação, aumento do preço dos combustíveis, férias mais caras e muitas outras coisas que não vale a pena enumerar. Por obra e graça de um megalómano, egocêntrico que revela já indícios claros de senilidade (veja-se o discurso desconexo no final da reunião da NATO). Mas não atua sozinho, é Trump e a sua trupe, uma coleção de secretários de estado impreparados, para não dizer outra coisa, que têm como traço comum a subserviência canina ao seu líder. Sem esquecer que os seus principais conselheiros estão ligados ao Projeto 2025, elaborado pelos ultraconservadores da Heritage Foundation, que defende o reforço do poder executivo e o alinhamento do serviço público a uma agenda da extrema direita.
Termino, lembrando o poeta Allen Ginsberg
América eu te dei tudo e agora não sou nada
América não aguento mais minha própria mente
América quando acabaremos com a guerra humana?