João Carlos Antunes
Apontamentos da Semana...
DOIS DOS MAIS PRESTIGIADOS MINISTROS deste Governo estão debaixo de fogo e sobre eles pendem muitas dúvidas sobre o seu futuro. Dois porta-aviões do Governo que, por culpa própria, ficaram feridos de morte política, veremos se sobrevivem ou não. O ministro da Administração Interna, quando foi nomeado, significou um respirar de alívio para Luís Montenegro, pressionado pelas péssimas imagens e completa inabilidade política das anteriores ministras que havia escolhido para o lugar. Elogiado pelos jornais e comentadores do centro à esquerda, tem Ventura como inimigo figadal, por razões que, recordo, tem a ver com Luís Neves, enquanto diretor da PJ e como ministro ter desmontado a narrativa anti-imigrantes do líder populista, alimentando a perceção de insegurança em Portugal, que continua a ser considerado um dos países mais seguros do Mundo, ocupando o sétimo lugar no Índice Global da Paz.
Se alguma coisa estamos certos, é a de que Luís Neves vai estar debaixo de fogo por estes tempos mais próximos, já não lhe bastando ter de estar na primeira linha do combate aos incêndios.
Mais provável será a saída do ministro da Educação e Ensino Superior, Fernando Alexandre, depois de se ultrapassar esta enorme trapalhada das avaliações. Mesmo não pondo em causa a sua competência, e tido como um intelectual e académico distinto, o mínimo que se pode dizer é que ele foi imprudente, muito imprudente, quando decidiu avançar para a correção eletrónica dos exames do 12.º ano, aparentemente sem ter um plano B para o caso de correr mal. A experiência piloto realizada em 2025, com a disciplina de Filosofia, que abrangeu poucos alunos, mostrou algumas fragilidades no sistema. E não consta que se tenham tirado ilações. A isto chama-se desleixo e imprudência.
E grave problema de comunicação misturada com sobranceria, no que foi acompanhado pelo Primeiro-Ministro, foi a forma como atirou culpa a todos, desde professores a diretores de escola, passando pelos agrafadores e alunos e acusando os pais de serem “imprudentes” por marcarem férias para o período imediatamente a seguir ou perto das datas de afixação dos resultados dos exames. Houve imprudência e opções ideológicas questionáveis, por ter desmantelado a maioria dos serviços do seu ministério, para poupar alguns milhões, desprezando quem conhecia bem o sistema e recorrendo a empresas externas, com técnicos sem experiência na área da educação, alguns muito jovens que comunicaram com os professores com uma displicência assustadora.
Ao fim de muitos dias de angústia em famílias e jovens que tanto lutaram para obter os resultados que lhe dão entrada no curso desejado, depois de prazos ultrapassados e tantos milhares de erros identificados, queremos acreditar que os piores dias já passaram. Não sei se o ministro e o Governo vão ultrapassar a crise sem problemas de maior nos índices de popularidade. Garantidamente, os cidadãos perderam a confiança no processo, a certeza das notas (com classificações suspensas ou desaparecidas) e a tranquilidade no processo de acesso ao Ensino Superior.