COM ATRIBUIÇÃO DE TROFÉUS A CIDADÃOS HONORÁRIOS
Freguesia comemora 177 anos com os olhos no futuro
A Freguesia de Castelo Branco comemorou, na passada segunda-feira, 20 de julho, o 177.º aniversário, com uma cerimónia que teve como cenário o jardim do Palácio dos Viscondes de Portalegre, antigo Governo Civil. A data foi assinalada com a atribuição de troféus de cidadãos honorários, que é o mais alto reconhecimento atribuído pela Freguesia, à Associação de Apoio à Criança do Distrito de Castelo Branco e ao maestro e compositor César Viana.
A sessão teve início com um momento musical, no qual o João Roiz Ensemble, acompanhado por Pedro Ladeira, interpretou uma obra de César Viana composta para a formação.
O presidente da Junta de Freguesia de Castelo Branco, José Dias Pires, realçou que “foram 177 anos de crescimento, nem sempre contínuo em demanda de uma construção comunitária de proximidade pondo em evidência, através de enquadramentos institucionais e administrativos, uma tripla exigência”, referindo-se ao “honrar a causa pública, servir a coisa pública e disponibilizar a casa pública, esta última como a conjunção necessária das duas exigências anteriores, através da revalorização da participação, entre iguais, dos cidadãos, ou dito por outras palavras, dignificar a construção da cidadania, possibilitando e incentivando o seu exercício”.
José Dias Pires realçou também que “a comunidade Albicastrense é hoje o resultado de diferentes formas de atuação promovidas por diferentes estratégias políticas, por princípio, mas nem sempre, obrigadas à promoção de uma gestão do território capaz de garantir um desenvolvimento equilibrado e sustentável, assim como salvaguardar a defesa do interesse público e coletivo através da capacidade de fomentar políticas locais que assegurem a valorização das populações, estimulando o associativismo e outras formas de participação organizada ou informal dos cidadãos, através da adoção de orientações marcadas por uma particular sensibilidade aos segmentos mais frágeis da nossa comunidade”.
O presidente da Junta avançou de seguida que “nos últimos 50 anos, com pesos e incidências diferentes, grande parte do mencionado foi propiciado pela Freguesia e no Concelho de Castelo Branco sempre e quando três dos principais pilares no trabalho autárquico foram escrupulosamente observados”, referindo-se à “consciência, respeito e serviço”.
José Dias Pires apontou também para “a consciência do trabalho comunitário a fazer baseado num princípio de facilitação e partilha de informação entre quem parte e quem vem; respeito efetivo pelos responsáveis dos diferentes ciclos políticos dando-lhes condições necessárias e suficientes para desenvolver o trabalho para o qual foram legitimados pela escolha comunitária e serviço transparente na transmissão e assunção de responsabilidades”. Tudo para afirmar que “baseado nesses três pilares, o atual executivo da Freguesia tem procurado contribuir para a criação de condições que propiciem a intervenção em todos os domínios da vida comunitária, através da perceção das virtualidades e das limitações comunitários e das melhores formas das potenciar ou superar”.
Uma matéria em relação à qual defendeu que “não pode ser apenas uma obrigação exclusiva da autarquia”, uma vez que “o estudo e a perceção das virtualidades e das limitações comunitárias devem implicar uma reflexão e uma vontade individual e coletiva, dentro e fora das instituições e organizações Albicastrenses, porque só a partir da realidade atual, podemos ter uma ideia do futuro, para que seja possível potenciar o que temos de positivo e transformar radicalmente o que temos integrado de negativo”.
Mais à frente José Dias Pires frisou que “passados 177 anos a nossa freguesia ainda continua confrontada com algum distanciamento e isolamentos sociais”, para adiantar que “temos consciência que as fronteiras da cidade original foram ultrapassadas. Alargaram-se os perímetros urbanos, os equipamentos e as infraestruturas rasgaram o território envolvente e as barreiras naturais, mas nem sempre se conteve a especulação e a irracionalidade urbanísticas, originando o desaparecimento da unidade espacial do tempo em que a cidade era um ponto no meio do campo e em que a cultura da cidade era comum à cultura do campo. Nos últimos 29 anos pudemos assistir à infraestruturação da Freguesia e do Concelho e a um posterior trabalho para voltar a estabelecer a unidade perdida que é, ainda hoje, um imperativo das políticas de ordenamento e de urbanismo”.
Tudo isto, para defender que “como freguesia urbana e rural, queremos ser participantes na estratégia municipal de restauração da conexão entre a cidade e o campo, à qual é imprescindível uma nova arquitetura biofísica e paisagística que dê relevância aos lugares biofísicos e simbólicos, histórico e paisagísticos com valor emblemático para a Freguesia, o Concelho, o País e o Mundo”. Objetivo para o qual defende que “mais do que nunca é imprescindível uma gestão adequada dos tempos e contratempos, conjugada, em primeiro lugar com o município, e sempre projetada no interesse comunitário, servindo sempre a comunidade e nunca a servir-se dela”, porque como salientou a meio da intervenção “as pessoas estão primeiro”.
No que respeita às distinções, na cerimónia foi destacado que a Associação de Apoio à Criança do Distrito de Castelo Branco foi “fundada há quase 30 anos”, contando entre os principais objetivo “proteger os direitos das pessoas com maior vulnerabilidade”.
Já em relação a César Viana, para além da sua carreira como maestro e compositor e a ligação a Castelo Branco, embora tenha nascido em 1963, em Southampton, no Reino Unido, e viva atualmente em Espanha, apesar de também morar pontualmente em Alcains, foi destacado o facto de ter cedido a sua coleção de instrumentos musicais que dão corpo à Instrumenteca instalada na Casa do Arco do Bispo, em Castelo Branco.
Presente na cerimónia, o presidente da Câmara de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues, classificou a entrega de distinções como “um gesto simbólico, mas carregado de importância”.
Isto para adiantar que no respeitante à Associação de Apoio à Criança do Distrito de Castelo Branco, “o mérito não se pode medir pela atribuição de um grau honorífico”, uma vez que o realmente importante é facto de estar “365 dias por ano ao serviço de comunidade”, desenvolvendo “um trabalho discreto, que se mão existisse seriámos todos mais pobres e a nossa vida mais complicada”.
Já quanto a César Viana elogiou “a sua disponibilidade, o seu saber e os seus instrumentos” para a Instrumenteca. E sobre essa defendeu que “interessante seria se os nossos maestros compusessem uma peça em que todos os instrumentos pudessem estar incluídos”, o que, no entanto, considera “difícil, devido à sua quantidade e variedade”.
Leopoldo Rodrigues aproveitou ainda a ocasião, para assegurar que “a Junta de Freguesia de Castelo Branco tem feito um trabalho muito importante ao longo destes anos”, para sublinhar que “tem feito o seu trabalho de autarquia de proximidade” e concluiu que “a Câmara e as freguesias trabalham em serviço para servir as populações”.
António Tavares