Edição nº 1735 - 30 de março de 2022

Celinha
A COELHEIRA DO QUINTAL DA MINHA AVÓ

Já tinha saudades de escrever na Gazeta. Até estou admirada como me voltaram a dar esta oportunidade. Ainda bem, pois confesso: estou mais crescida e dizem que mais culta (lá na escola). Eu acho que estão a gozar comigo mas não me importo. No fim de semana passado fui a casa da minha avó que tem no quintal uma coelheira extraordinária e que me inspirou para o texto sobre o mundo dos animais domesticados que passam a vida a chatear-nos a cabeça (a parte do chatear a professora não pediu).
E saiu-me isto:
Imaginem um oryctolagus cuniculus disfarçado de cão de fila mas que apenas tem um miar roufenho: é aquilo a que se chama um protagodículo rinista desculpem: um pritagonículo rodista emendo: um protagonista ridículo de orelhas longas e com um pompom nos fundilhos e que passa a vida a armar-se em sabedor de todas as ignorâncias.
O meu irmão está a perguntar o que é um oryctolagos cuniculos! Que parvo não sabe que é um coelho comum!
Imaginem agora um sylvilagus enroupado de ratazana mas que apenas consegue roer azedas e a paciência dos outros: é aquilo a que se chama um dentado falholas desculpem: um denlhado fatolas emendo: um dentolas falhado que não deslarga de ser um boca de trapos.
O meu irmão está a perguntar o que é um sylvilagus! Coitado vou ensinar-lhe que é um coelho com dentes de leite e que anda sempre em bicos de patas porque se julga muito crescido.
Imaginem ainda um brachylagus maquilhado de vampiro mas que apenas consegue ser um mau aspirador de suores frios: é aquilo a que se chama um lapéril estaro desculpem: lestéril áparo emendo: um láparo estéril.
O meu irmão está a perguntar o que é um brachylagus! Pronto tenho obrigação do ajudar antes que tropece num coelho pigmeu a pensar que é gigante porque olha apenas para a sua sombra e o seu umbigo cheio de cotão e a precisar de banho (pelo menos de civilidade).
Se ainda estão por aí imaginem um caprolagus ataviado de gueixa mas incapaz de cantar a primeira nota da canção do Pedro Penedo da Rocha Calhau: é aquilo a que se chama um lebrana cachada racho quero dizer um lebracho cana rachada que faz voz grossa para um apensar fininho.
Vou ter o meu irmão à perna a querer saber o que são um caprolagus ou um lebracho. Simples: são exatamente a mesma coisa: um coelho asiático com mania que canta de galo mas que afinal apenas zurra (de burro mesmo, sem ofensa para o dito cujo).
Conseguiram imaginar todos estes coelhos? E ainda têm paciência para achar que os coelhos são uns animais muito queridinhos? Pelo amor da santa!
E cá prometo: nunca mais como coelho nem lhes dou de comer! Bolas!
PS: no que ao comer respeita faço um exceção para os coelhos da páscoa não se importam pois não?

30/03/2022
 

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