Edição nº 1794 - 24 de maio de 2023

CAMINHO DE TINALHAS, ÁGUA, SAÚDE, FÁBRICA DA CRIATIVIDADE E ACADEMIA DE FUTEBOL
PS e SEMPRE mantêm polémica acesa

A sessão pública da Câmara de Castelo Branco realizada na passada sexta-feira, 19 de maio, voltou a ser palco de múltiplas críticas e acusações entre o Partido Socialista (PS) e o SEMPRE – Movimento Independente.
No período de antes da ordem do dia, o presidente da Câmara, Leopoldo Rodrigues, com base na reparação de um caminho em Tinalhas, realçou que “há uma tentativa de politizar o que é técnico” e explicou que “o concurso foi aberto em campanha eleitoral (Autárquicas). A solução técnica que foi a concurso previa tout venant. O concurso foi aberto e terão concorrido 15 empresas”, mas a conclusão a que se chegou é que “a proposta técnica não é a que salvaguarda o melhor interesse público”.
Intervenção a que Luís Correia, do SEMPRE, reagiu ao afirmar que “diz que é uma questão técnica”, ao que Leopoldo Rodrigues retorquiu, respondendo a ser encontrado algum culpado por a obra estar por fazer, que “a culpa é minha, ou de quem abriu à pressa um concurso na véspera de eleições”.
Luís Correia recordou, então, que “ao longo de um ano e meio perguntei sobre esta questão pelo menos três vezes”, para concluir que “se não fez nada, é porque não queria saber nada deste investimento, ou não queria fazer”. Tudo isto, não deixando de sublinhar que “este investimento fica numa freguesia liderada pelo SEMPRE”, o que o leva a reafirmar que “isto não é uma questão técnica. É uma questão política” e acrescentou que “só falta fazer a adjudicação. Está parado há um ano e meio”, para questionar “qual é a motivação”.
Ponto no qual Leopoldo Rodrigues se focou novamente na vertente “técnica”, ao realçar que a “solução com tout venant custa 177 mil euros e é uma solução para quatro anos, enquanto em betuminoso custa mais 132 mil euros, mas é uma solução para mais tempo”.
Este não foi, no entanto, o único tema a originar uma troca de galhardetes, pois outro teve a ver com hospitais. Uma questão inicialmente pelo vereador da coligação Partido Social Democrata/Centro Democrático Social – partido Popular/Partido Popular Monárquico (PSD/CDS-PP/PPM), João Belém, ao referir-se à “construção de unidades de saúde privadas na Covilhã”, para perguntar “ se houve algum contacto com a autarquia (Castelo Branco). Quais e, se sim, qual o ponto da situação”.
Leopoldo Rodrigues confirmou que “houve contactos com a Câmara” e adiantou que “esperemos que num futuro próximo haja desenvolvimentos”.
Nesta matéria, Luís Correia relembrou que “tal como já afirmamos, vimos passar o hospital pela autoestrada (em direção à Covilhã) e nem portagem pagou. Era um hospital, agora já são dois, pois foi anunciado o da CUF”, o que o leva a questionar o presidente da Câmara se “ainda acredita que algum hospital venha para cá (Castelo Branco) “ e concluir que “esta é uma derrota para Castelo Branco. Não teve capacidade para captar qualquer uma destas unidades. Mais uma vez ficamos a perder para a Covilhã. A perder em algo importantíssimo para Castelo Branco”.
Argumentação a que Leopoldo Rodrigues respondeu que “o hospital que passou na A23 não começou a viagem hoje, Começou há muito tempo. Começou quando a Covilhã teve a Universidade da Beira Interior (UBI), Teve a Faculdade de Medicina” e assegurou que “nós não desistimos. A minha motivação é servir os Albicastrenses”.
Também no centro da discussão esteve a água, um tema igualmente abordado inicialmente por João Belém, quando alertou para a necessidade de “promover a gestão adequada dos recursos hídricos” e quis saber “qual a estratégia do Município nessa área”, bem como “o ponto da situação na prevenção de incêndios”.
Leopoldo Rodrigues destacou que no respeitante à água “há que olhar para o presente e perspetivar o futuro” e recordou que na campanha eleitoral (Autárquicas) “um dos objetivos era a construção da Barragem do Barbaído”, acrescentando que “continuo a defender não avançar para o Regadio a Sul da Gardunha sem se ter garantido o abastecimento de água”, pois aquilo que está em causa “é a água para consumo humano, enquanto do outo lado está a agricultura”.
O autarca aproveitou também para garantir que “temos bons resultados no que respeita à perda de água no Concelho”. E na mesma linha relembrou “a utilização de água de poços para a higiene e limpeza da cidade”, matéria em relação á qual adiantou para uma solução mais definitiva, “com a instalação de motores nesses poços, para não ser necessário levar equipamento cada vez que se pretende retirar água”.
E voltando à questão das perdas afirmou que “na Avenida de Espanha a relva foi substituída por arbustos. Agora na vez de uma rega normal faz-se uma rega gota a gota” e defendeu que com esta solução “ficou mais bonito e há poupança de água”. Daí que a mesma solução “esteja a ser adotada na entrada da cidade, na Granja”.
Nesta vertente da água, Luís Correia não deixou de denunciar, como já fez anteriormente, que “na Quinta do Chinco as bombas estão avariadas e as hortas estão a ser regadas com água da rede” e passando a outra vertente defendeu que “como já garantiu que vai construir a Barragem do Barbaído, o Regadio a Sul da Gardunha já não devia ser tema, porque faz depender uma coisa da outra”.
A polémica continuou já com o coordenador da Fábrica da Criatividade, quando Luís Correia afirmo que “solicitamos o currículo do atual coordenador. Quando vemos o currículo não se compreende porque é que se retirou o outro coordenador, pois quando comparamos um currículo com o outro é quase o mesmo que comparar a Estrada da Beira com a beira da estrada”, não hesitando em apontar para um “saneamento político”.
Posição a que Leopoldo Rodrigues respondeu que “lamento muito que continue a insistir nessa tecla” e referindo que “sou amigo pessoal do Carlos Matos (antigo coordenador), apontou para 2ª oportunidade a um jovem de fazer o seu caminho (atual coordenador)”.
De novo no centro da discussão esteve também a Academia de Futebol, com Luís Correia a afirmar que “disse que havia um estudo para alterar a decisão que tomou, mudando a Academia da Escola Superior Agrária (ESA) de Castelo Branco para Zona de Lazer. Pedimos o estudo e a resposta que nos foi dada é que só há estudos prévios, não há nenhuma documentação oficial que se possa enviar. A Academia de Futebol foi anunciada há um ano na ESA, alterou para a Zona de Lazer e diz que foi baseado num estudo, que não existe. Já em relação aos estudos prévios, o que nos foi transmitido é que não estão concluídos, são ideias que necessitam de concretização”. Motivos estes que levam Luís Correia a denunciar, mais uma vez, que a alteração de local da Academia tem “motivos políticos”.
Posição em relação à qual Leopoldo Rodrigues sublinhou que “quem politiza estas questões é o senhor (Luís Correia)” e assegurou que “mal seria se a relação da Câmara com o Politécnico fosse política” e questionou “se tem a consciência tranquila em relação a essa questão, como eu tenho”.
E sobre a Academia de Futebol, Leopoldo Rodrigues fez ainda questão de deixar bem claro que “estamos a acautelar os interesses de Castelo Branco e dos Albicastrenses. Em nenhum circunstância será uma questão política”.
Na sessão João Belém abordou ainda a questão das instalações da Associação de Diabéticos da Beira Baixa (ADBB), ao referir que “é necessário e urgente requalificar as instalações”, com Leopoldo Rodrigues a avançar que “na Escola do Cansado as instalações permitem dar resposta, mas há que melhorar”, adiantando que “o concurso ainda não foi lançado. Será nos próximos dias”.
António Tavares

24/05/2023
 

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