João Carlos Antunes
Apontamentos da Semana...
O DIA MUNDIAL DO AMBIENTE aconteceu por estes dias. Um pretexto para se falar ainda mais e de forma mais assertiva, sobre as muitas medidas de proteção e as ainda mais mudanças comportamentais, que todos nós teremos de assumir, mais tarde ou mais cedo, de preferência mais cedo, se quisermos que as próximas gerações tenham um planeta onde possam viver com uma qualidade de vida, no mínimo, igual à que nós agora usufruímos. Certamente com diferente estilo de vida, mais responsável pela saúde do Planeta.
A defesa do ambiente tem muitas nuances, algumas que colidem com interesses económicos. Os governos, nomeadamente os governos europeus, podem manifestar boas intenções, podem avançar com propostas de atuação que combatam as mudanças climáticas, apontam metas temporais que raramente são cumpridas, porque acabam chocando com os interesses das grandes indústrias. Dentro do espírito ambientalista da época, reuniram durante uma semana em Paris, na sede da UNESCO, delegados de cerca de para negociarem um acordo multilateral sobre a redução de resíduos plásticos no mundo. O nobre e urgente objetivo, é o de estabelecer um tratado global para combater a tremenda poluição, causada pelos resíduos plásticos.
Macron alertou para espantosa quantidade de lixo plástico que anualmente se produz, de peso equivalente a 35 mil torres Eiffel. E de que se não se avançar com novas e decididas medidas de combate, este valor irá triplicar até 2060. Portugal que está numa posição de topo na produção de energia limpa, é um dos piores de entre os países comunitários, no tratamento dos resíduos. Por isso, é de louvar a iniciativa da autarquia albicastrense, apresentada no Dia Mundial do Ambiente, de lançar a campanha de recolha de biorresíduos no seu Concelho.
Ambiente é um tema que agrega gerações, em particular os mais jovens. Leonor, a minha neta, tem 10 anos e já se preocupa com a pegada ecológica e com os resíduos que ficam de eventos que juntam milhares de pessoas. Há quem não queira entender estas preocupações e as militâncias ambientalistas entre os jovens que se manifestam nas escolas. A mim deixa-me satisfeito. Porque é a idade das utopias, o querer mudar o mundo. Em que muitos da minha geração se reveem. A minha geração lutou por mudanças políticas, pela democracia. Sendo um valor já sedimentado, apesar de todos os defeitos que a democracia possa ter, é a bandeira do ambientalismo que muitos jovens agora erguem. São poucos, mas muito mediáticos, os grupos de jovens que entram por um processo de luta mais radical, inconsequente, e que pouco contribui para a causa. Depois de terem atirado ovos e outras coisas a obras de arte de valor artístico incalculável, mas obviamente protegidas contra atos de vandalismo, chegou agora a Portugal a ação militante de esvaziar pneus em veículos SUV, com o pretexto de serem mais poluentes. Não causam prejuízo material, por isso não são criminalizados. Serve pour épater le bourgeois.