Edição nº 1796 - 7 de junho de 2023

A PARTIR DESTE MÊS
Concelho desenvolve projeto de recolha de biorresíudos

A Câmara de Castelo Branco e os Serviços Municipalizados de Castelo Branco (SMCB), no âmbito do Dia Mundial do Ambiente, que é assinalado a 5 de junho, deram a conhecer o projeto de recolha de biorresíduos no Concelho de Castelo Branco.
O presidente da Câmara de Castelo Branco Leopoldo Rodrigues, começou por realçar que, “em média, cada habitante de Castelo Branco produz 462 quilogramas de resíduos urbanos por ano, dos quais 171 serão resíduos alimentares”, de onde resulta que “os biorresíduos alimentares representam cerca de 37 por cento dos resíduos”.
Tudo isto, salientou, faz com que no Concelho sejam “produzidas 9.400 toneladas de biorresíduos por ano”, sendo que “a meta de recolha para o município é atingir uma taxa de captura de 50 por cento, em 2030, ou seja, cerca de 4.700 toneladas por ano”.
Para atingir esse objetivo, em 2021, a Câmara de Castelo Branco elaborou o Estudo Municipal para o Desenvolvimento de Sistemas de Recolha de Bioressíduos, tendo por base a produção de resíduos indiferenciados e a sua caracterização, determinando assim o potencial dos bioressíduos produzidos no Concelho.
A estratégia do Município para a recolha de bioressíduos assenta em duas vertentes, que são a separação e reciclagem na origem dos biorresíduos, através da compostagem doméstica ou comunitária, e a recolha seletiva com posterior transporte para instalações de reciclagem, designadamente de compostagem e digestão anaeróbia, evitando a sua mistura no tratamento com outros resíduos.
De acordo com esta estratégia, como adiantam Leopoldo Rodrigues e a administradora delegada dos SMCB, Sónia Mexia, “numa primeira fase serão implementados vários projetos piloto”.
Um deles passa pela RecolhaBio – Apoio à implementação de projetos de recolha seletiva de biorresíduos, financiado pelo Fundo Ambiental na vertente Resíduos e economia circular, sendo que o processo de candidaturas, que decorreu em 2022, foi coordenado pela Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa (CIMBB). Os SMCB viram assim aprovada a sua candidatura através de um projeto no valor de 147.846,32 euros mais IVA que consiste, essencialmente, na recolha seletiva de resíduos alimentares, porta a porta em 150 grandes produtores, como restaurantes, cantinas, mercados, em Castelo Branco e Alcains, ao que se junta as separação e reciclagem na origem, através de compostagem comunitária a implementar nas 19 freguesias do Concelho.
Outros projetos pilotos têm a ver com a recolha a pedido de resíduos verdes e a sensibilização para a prevenção e redução do desperdício alimentar.
De acordo com Leopoldo Rodrigues “o projeto RecolhaBio tem como meta separar cerca de 1.119 toneladas de biorresíduos por ano, o que corresponde a 12 por cento face ao potencial de produção total do Concelho”.
A estes projetos há ainda a juntar a separação e reciclagem na origem, a compostagem doméstica, no âmbito do projeto Fusilli, a cargo da equipa da Câmara.
Além disso, como foi adiantado, “estão a ser delineados e preparados outros projetos piloto de recolha seletiva de biorresíduos alimentares ao nível da produção residencial, em zonas de moradias e de prédios”.
Tudo isto, tendo em atenção que no ano passado, no Concelho de Castelo Branco foram produzidas 24.268 toneladas de resíduos, das quais 20.663 toneladas correspondem a resíduos indiferenciados, representando 85 por cento do total, e 3.605 toneladas são provenientes de recolha seletiva, o que corresponde a uma taxa de reciclagem de 15 por cento.
No que respeita à recolha de biorresiduos, Leopoldo Rodrigues, na área dos contentores castanhos que serão distribuídos pelos grandes produtores, faz questão de fazer referência às escolas, porque, “assim, também é um modo de sensibilizar os mais jovens para esta questão, sendo que eles depois têm um papel importante na sensibilização de outras pessoas, como familiares e amigos”.
Leopoldo Rodrigues destaca também o “papel importante da equipa de recolha de lixo”, que elogia, e de caminho alerta para situações como as que sucedem nos novos ecopontos instalados no centro da cidade, ao referir que “vi sacos colocados ao lado. Fui verificar e vi que os contentores não estavam cheios”, para defender que “estas são atitudes que podemos alterar com a colaboração de todos”. E nesta matéria sublinhou ainda que “também vi que os sacos estavam abertos e sem ser feita qualquer separação de lixo”, pelo que considera que “é necessário um trabalho de sensibilização”, não esquecendo que “este é um trabalho (separação de resíduos) da responsabilidade de cada um de nós”.
Por seu lado, Sónia Mexia recrodou que bioressíduos “são todos os resíduos biodegradáveis de jardins e parques, os resíduos alimentares de cozinha e das habitações, dos escritórios, dos restaurantes, dos grossistas, das cantinas, das unidades de catering e retalho e os resíduos similares das unidades de transformação de alimentos”. Tudo para realçar que “as sobras do alimentos e os resíduos verdes são biodegradáveis e têm elevado teor de matéria orgânica, podendo e devendo ser reciclados e valorizados através de técnicas e processos dos quais resultam produtos com valor acrescentado, como sejam o biogás, que serve para produzir energia, e o composto, que serve para aplicar na agricultura, como fertilizante e corretor orgânico, contribuindo e valorizando a economia circular”.
Sónia Mexia, que destaca também que, “ por outro lado, o facto de separar e recolher seletivamente estes resíduos orgânicos contribui para reduzir a quantidade de resíduos a enviar para deposição em aterro, diminuindo também, de forma significativa, a quantidade de matéria orgânica na fração resto que entra nos aterros e consequentemente os gases com efeito de estufa libertados pelos aterros”.
Mais à frente Sónia Mexia apelou “à participação e empenho de todos os munícipes e utilizadores do sistema, para aderir a este projeto direcionado para a recolha seletiva dos biorresíduos, mas insistimos também na separação dos restantes resíduos recicláveis, como sejam o papel e cartão, plástico e metal, vidro, monos” e sublinhou que “em 2022, a taxa de reciclagem registada no Concelho de Castelo Branco foi de 15 por cento, longe do desejado e estipulado como meta nacional e comunitária”.
Alertou igualmente que “ao não separar os resíduos recicláveis, estes terão como destino o aterro sanitário, o que constitui uma solução que se apresenta mais dispendiosa em termos de tratamento, uma vez que não há valorização destes resíduos, acabando por se refletir no custo da prestação de serviço de resíduos, pago por todos”.
António Tavares

07/06/2023
 

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