INVESTIMENTO DE QUASE 3,5 MILHÕES DE EUROS
Eis o Parque Urbano da Cruz do Montalvão
O Parque Urbano da Cruz do Montalvão, em Castelo Branco, abriu ao público dia 31 de maio, e dia 1 de junho recebeu as atividades comemorativas do Dia mundial da Criança, depois de um investimento de quase 3,5 milhões de euros. O projeto, que atravessou três mandatos autárquicos, liderados por Luís Correia, José Augusto Alves e Leopoldo Rodrigues, teve início em 2016, com a abertura do concurso, o projeto foi aprovado em 2017 e as obras começaram em 2019.
O novo espaço tem 21 hectares, os quais estão divididos em duas áreas. Uma a Norte, com 14,4 hectares e outra a Sul com 6,6 hectares e que apresenta uma união entre espaços naturais e urbanos, compreendendo uma artéria pedonal que atravessa a área Norte, uma ciclovia, um auditório ao ar livre, um edifício multiusos, outro destinado a acolher um bar, espaços para as crianças e para jogos, como o ténis de mesa, um parque para seis autocaravanas na área Sul, e, claro, está zonas arborizadas e relvados.
O presidente da Câmara de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues, realça que o Parque Urbano da Cruz do Montalvão é “uma nova centralidade da cidade e do Concelho” e agora que o novo espaço está aberto ao público deixa um “apelo ao civismo”, para que as pessoas preservem “aquilo que aqui está”, sublinhando que se trata de “um espaço percecionado para a realização de eventos, nomeadamente no anfiteatro natural”.
Leopoldo Rodrigues, realça também que o Parque Urbano da Cruz do Montalvão “é um grande desafio em termos ambientais, uma vez que necessita de rega durante três meses”. Por isso, adianta, “foram abertos três furos artesianos, mas pelo facto de se tratar de água férrea foi construída uma central para proceder ao seu tratamento”, para concluir que se trata de “um processo complexo para garantir a qualidade da água”.
O autarca avança ainda que o novo espaço conta “com uma equipa, em exclusividade, para sua manutenção”.
Na apresentação do Parque Urbano da Cruz do Montalvão aos jornalistas, a arquiteta paisagista Verónica Almeida, de equipa que desenvolveu o projeto, começou por “destacar o papel da visão estratégica da Câmara de Castelo Branco, de decidir, em 2016, valorizar o espaço abandonado do antigo campo militar, em plena área urbana, de bairros densamente urbanizados, devolvendo-o à cidade, enquanto parque urbano de proximidade”.
Verónica Almeida explicou que, “socialmente, o Parque do Montalvão destaca-se por responder com usos quotidianos e não apenas de fim de semana e por integrar, no interior, um eixo urbano, pedonal, importante na cidade de Castelo Branco, o eixo urbano Centro-Universidade (Politécnico), Centro-Parque da Cidade, Centro-Fórum Comercial, estando nós a apenas 15 minutos a pé do centro da cidade”, acrescentando que “esta ligação, materializada pela artéria diagonal do Parque, larga, confortável e arborizada, onde podemos caminhar, rolar, ciclar, ao longo dos seus cerca de 500 metros, é a espinha dorsal à qual se agregam e sucedem os três núcleos de atração e programas do Parque”.
Nesta vertente Verónica Almeida destaca “o grande relvado social, com cerca de um hectare, e a sua relação com o equipamento infantil, o espaço de mesas de piquenique e a plataforma de estadia e jogos tradicionais; o anfiteatro natural, espaço multifuncional, com vista para a Serra da Gardunha, com possibilidade de realização de eventos de escala adequada; e a praça que se caracteriza por ser a zona mais urbana, mas uma importante âncora para o funcionamento regular do parque, onde, encontramos uma cafetaria, com um amplo espaço aberto de sombra, associada a espaço de jogo infantil, para os mais pequenos; um edifício polivalente de carácter associativo, que associado a um pequeno anfiteatro de pedra, poderão em sinergia, proporcionar o apoio a diversas atividades, como aulas no exterior, cinema ao ar livre, teatros infantis, pequenos concertos, feiras e mercados”.
Por outro lado, continua “encontramos também, os espaços que gostamos de denominar de jardins de fresco, que se caracterizam por serem espaços mais protegidas, de sombra intensa, quando o Parque se desenvolver, podendo proporcionar o fresco para a atenuação das ondas de calor, ao mesmo tempo que através da combinação de mesas e bancos propostos, Internet Wi-Fi, perto da circulação e das zonas mais ativas do Parque, sugerem a sua apropriação por diferentes grupos”.
De igual modo destaca “o percurso perimetral com aproximadamente um quilómetro, que permitirá deambular pelo Parque, e descobrir os seus diferentes ambientes e experiências de natureza, possibilitando também a sua utilização para a prática desportiva e manutenção física”.
Verónica Almeida sublinha também que “à função social do Parque Urbano da Cruz do Montalvão associa-se um valor ecológico e simbólico próprio, propondo-se como uma mistura entre a criação de ecossistemas e espaços verdes”.
Assim, avançou, “tomando como ponto de partida a decisão de manter toda a vegetação arbórea existente, o Parque integra estes elementos e tem como objetivo recriar a vegetação mediterrânea potencial, ao longo de todo o Parque e em três áreas em particular, que são as áreas de crescimento lento em regeneração natural, a reconversão do olival em zambujal e a reconversão do eucaliptal em sobreiral, trazendo para o espaço urbano a riqueza imagética e biológica da natureza silvestre, associada aos habitats dos zambujais e bosques termomediterrânicos de azinhais e sobreirais, uma pequena amostra da floresta climácica da paisagem de Castelo Branco, funcionando como uma reserva biogenética e de biodiversidade, de fauna e flora, em pleno solo urbano”. Factos pelos quais “para além do seu valor próprio o Parque constitui-se também como uma peça fundamental no continuum naturale da estrutura verde da cidade de Castelo Branco, estabelecendo a ligação entre o Parque do Barrocal e o Parque da Cidade”.
Nesta matéria realçou que “na seleção das associações de plantas propostas, das cerca de 1.850 árvores e dos cinco mil arbustos e subarbustos plantadas, a sua maioria são autóctones ou naturalizada na região de Castelo Branco, umas de crescimento mais rápido, outras de crescimento mais lento, mas todas contribuirão, em conjunto com as cerca de 300 árvores existentes, que permaneceram, para a riqueza visual e ecológica do Parque, garantindo, pelas suas características, um maior sucesso na sua instalação e desenvolvimento”.
A isto acrescentou que também foram criadas as condições para que “no futuro, apenas 40 por cento do parque tenha necessidades de irrigação frequente, correspondendo estes 40 por cento às áreas de maior vivência. Os restantes 60 por cento da área de Parque com revestimento arbustivo, subarbustivo e com prados de sequeiro floridos, permite diminuir ou reduzir totalmente, no futuro, as dotações de rega” e conclui que que “este conjunto de estratégias, aliadas a outras, permite que o Parque responda aos desafios que as alterações climáticas colocam, agora e no futuro, no desenho dos espaços verdes e em particular dos parques de média e grande dimensão, sobretudo quando falamos na gestão do recurso água, recurso regional cada vez mais escasso”.
Verónica Almeida centro ainda sua atenção na área Sul do Parque, para destacar que “constitui uma ligação ao Parque da Cidade e é um importante elemento de sustentabilidade de todo o Parque, tendo como principal função a centralização da captação, armazenamento e tratamento, da água proveniente de três furos, para alimentação do seu sistema de irrigação, diminuindo assim a sobrecarga do uso da água potável para rega”, sendo que, “simultaneamente, os seus planos de água contribuirão para aumentar o potencial de biodiversidade do local e a sua componente cénica”.
António Tavares