Edição nº 1808 - 6 de setembro de 2023

João Carlos Antunes
Apontamentos da Semana...

O POPULISMO PODE ATRAVESSAR vários espectros políticos, da esquerda à direita, que durante muito tempo teve terreno fértil na América Latina. É um fenómeno complexo marcado por uma relação direta entre o líder e as massas, um líder que numa linguagem simples, muitas vezes primária, sabe ir ao encontro dos sentimentos mais isolacionistas e egoístas dos seus seguidores, baseado no medo e no ódio aos outros, aos adversários políticos, os inimigos, e aos que estão fora da sua comunidade, tanto podem ser os ciganos como os imigrantes e refugiados. Alimentam um sentimento de ódio e exclusão que muitas vezes, tantas vezes, descamba em violência.
Os cientistas sociais e políticos que têm estudado o movimento, encontram a raiz do populismo no apelo à luta dos excluídos contra as elites económicas e políticas. Por isso não admira que em muitos países como Itália, França, Reino Unido ou Estados Unidos, seguidores de lideres populistas de extrema direita venham da área da esquerda mais radical, comunista, do operariado que se sente órfã na luta contra as elites, pela emburguesamento dos movimentos políticos de luta operária, que veem como integrados no establishment.
Mas os movimentos políticos tem fases de crescimento e expansão e outras de refluxo. E o movimento populista da extrema direita já conheceu melhores dias. Personificado em políticos que já lideraram países de enorme influência, como os Estados Unidos da América e o Brasil, Donald Trump e Bolsonaro, que conseguiram arregimentar massas, dividiram para reinar, alimentaram ódios. À passagem efémera pelo poder, os dois tiveram em comum o não aceitando a derrota nas urnas, tentarem o golpe de estado. Caíram-lhe as máscaras de democratas, surgindo a verdadeira face de candidatos a ditadores fascistas. Os dois estão agora a prestar contas com a justiça. Donald Trump é o paradigma do líder populista. Mesmo que as provas de envolvimento em atos de subversão democrática sejam evidentes, provadas e testemunhadas, os seus seguidores continuam a apoiá-lo. Como ele próprio afirmou um dia, mesmo que em plena Quinta Avenida matasse alguém, os seus seguidores continuariam a apoiá-lo. Como isto é possível? Mesmo que os principais jornais e cadeias de televisão o desmascarem, os trumpistas vivem numa bolha mediática. Só acedem a informação que lhes é afeta, inúmeras vezes baseada em fake news. Por isso, espantosamente, as sondagens dão a Trump uma liderança destacada para as primárias republicanas.
É diferente o que se passa com Bolsonaro. Também ele enredado em vários casos com a justiça, o último dos quais a venda de objetos de grande valor, que lhe foram oferecidos, enquanto presidente do Brasil, e que por isso lhe não pertenciam. Há uma debandada de bolsonaristas mais destacados que, para alijar responsabilidades e salvar a pele, estão mesmo dispostos a depor contra ele. E a nível de apoio popular, é evidente o esvaziamento do movimento. É o que acontece às más cópias, sem solidez nem substância.

06/09/2023
 

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