Edição nº 1844 - 15 de maio de 2024

João Carlos Antunes
Apontamentos da Semana...

ESTE SÁBADO FUI À PRAÇA, ao mercado dos sábados onde, também nas segundas-feiras, se podem encontrar produtores e produtos agrícolas locais. Acho que devia ir mais vezes, uma questão de planear melhor as minhas tarefas de sábado, para deixar tempo à oportunidade de comprar os melhores produtos, ao melhor preço. Saí de lá a pensar nisto, a tomá-lo como objetivo, porque estava satisfeito com as compras que fiz. Mas… (há sempre um mas) o sentimento de satisfação estava misturado, contraditoriamente, também com um sentimento de tristeza. Porque descobrimo-nos num espaço que lembramos pelo bulício de outros tempos e hoje com cada vez menos produtores a comercializar o produto do seu trabalho no campo e com cada vez menos compradores. Sabemos que esta dualidade produtor/consumidor anda ligado. Se há poucos compradores, haverá menos vendedores e o inverso também é verdadeiro. E depois vem a sensação de que este espaço corre o risco de se tornar descartável. Lembro o que Miguel Esteves Cardoso escreveu há pouco tempo, numa das suas crónicas diárias: não sentimos a falta de uma coisa até ao momento que ela deixa de existir.
Dito isto, pensamos que um dos principais culpados da situação percecionada é mesmo o Albicastrense, em particular a nova geração, que virou costas ao mercado dos produtores e caiu nos braços das grandes superfícies. A ser feito em Castelo Branco um estudo de comportamentos e hábitos de consumo, tenho a certeza que seria surpreendente o elevadíssimo número de moradores que nunca estiveram neste mercado, provavelmente nem conhecerão. Compare-se com o que se passa no similar mercado das segundas-feiras no Fundão, a fervilhar de pessoas, a vender e a comprar.
Reconheço que já se fizeram várias tentativas de dinamizar o espaço e atrair novos consumidores. Mas pelos vistos, sem grandes resultados práticos. Mesmo sabendo que ali encontra produtos de melhor sabor, mais saudáveis e a preço mais baixo do que nas grandes superfícies, e havendo tantos que defendem a importância económica e social do produtor local, a importância de apoiar a ocupação agrícola das nossa melhores terras do concelho e da região, e também a importância de reduzir a pegada ecológica. Apesar de se defender todos estes princípios, continuamos a encher carrinhos nas catedrais do consumo.
É possível inverter esta tendência? Temos de acreditar que sim. Como aconteceu com as mercearias de bairro, tantas que fecharam portas, mas outras tantas que se souberam reinventar e hoje conseguem manter e mesmo aumentar o número de clientes fiéis que aí encontram a alta qualidade dos queijos, enchidos, pão, doçaria e fruta da época produzidos na nossa região.
Será um processo difícil, mas necessário e urgente. Na rampa de ligação do mercado à avenida 1º de maio, ainda há pouco tempo se instalava um grupo apreciável de pequenos agricultores das nossas aldeias que ali vendiam as suas produções hortícolas. Este sábado, estava lá apenas o senhor João, de uma aldeia da freguesia das Sarzedas. Ele dizia-me que já estava velho, que não tinha ajuda para o trabalho no campo, tinha as silvas a invadirem as suas terras… e não faltaria muito tempo que também ele vai deixar de fazer o mercado. Este é o outro lado do problema.

15/05/2024
 

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