António Tavares
Editorial
A idade de reforma em Portugal vai aumentar para os 66 anos e 11 meses no próximo ano. Ou seja, um crescimento de dois meses comparativamente a este ano.
Aliás, com exceção de 2023, em que a idade de reforma recuou três meses, e de 2024, em que ficou inalterada, como resultado da pandemia de COVID-19, a reforma chega cada vez mais tarde, devido ao aumento da esperança média de vida.
A manter-se este ritmo, em 2028 ultrapassará os 67 anos e, no absurdo, a manter-se este crescimento de dois meses a cada ano, depressa chegará aos 68 e mais além.
É óbvio que a sustentabilidade da Segurança Social é fundamental, mas também não deixa de ser uma realidade incontestável que a mesma Segurança Social tem recebido mais dinheiro, resultado dos descontos de trabalhadores imigrantes.
Posto isto, do que não resta a menor dúvida é que quem chega à idade, depois tem cada vez menos tempo para um merecido descanso após muitos anos de trabalho.
Pedir a reforma antecipada, mesmo com muitos anos de trabalho, é impensável, porque os cortes são avassaladores, e, assim sendo, só resta trabalhar até se cumprirem os critérios, que infelizmente, não são iguais para todos. Não defendendo o nivelamento por baixo, muito pelo contrário, não se percebe como há quem se possa reformar aos 60 anos, com os critérios de desgaste ou perigosidade, que só existem para alguns. Isto para já não falar das reformas com valores escandalosos que alguns recebem após meia dúzia de anos.