É A QUARTA DA CIDADE
Unidade de Saúde Familiar Girassol atende quase 10 mil utentes
A Unidade de Saúde Familiar (USF) Girassol foi inaugurada na passada segunda-feira, 15 de dezembro, com uma cerimónia na qual a sua coordenadora, Rita Crisóstomo, recordou que esta unidade “começou a ganhar forma há cerca de um ano, quando um grupo de profissionais decidiu que era possível fazer mais e melhor ao serviço dos nossos utentes. E foi assim que nasceu esta equipa composta por seis médicos, seis enfermeiros e cinco administrativos”.
Rita Crisóstomo realçou que “se há algo que define a USF Girassol é precisamente cuidar das pessoas com proximidade, qualidade e humanidade” e garantiu que “cada profissional aqui presente contribuiu não apenas com o seu conhecimento técnico, mas com uma enorme dedicação, espírito de entreajuda e compromisso com o serviço aos nossos utentes”, para concluir que “inauguramos este espaço com orgulho, mas também com sentido de responsabilidade”.
Orgulho que foi também manifestado pelo diretor clínico da Unidade Local de Saúde de Castelo Branco (ULSCB) para a Área de Cuidados de Saúde Primários, Júlio Ramos, referindo que, “no fundo, este é o culminar de um projeto pessoal e que é da ULSCB” e avançou que o objetivo “era estabelecer ou dar condições para que se estabelecessem quatro USF na cidade”.
Por isso avança que “com o culminar deste projeto a cidade fica totalmente abrangida por estas quatro unidades”, mas não deixa de admitir que, “infelizmente, ainda temos cerca de três mil utentes sem médico de família, o que equivale a oito por cento do universo da cidade. No entanto, digamos que em termos de qualidade, prestação de serviços e em termos percentuais da população que abrange a ULS, diremos que 47,5 por cento dos nossos utentes já estão abrangidos por estes projetos, que são projetos de qualidade e por isso é que estão no caminho daquilo que é a reforma dos cuidados saúde primários e, portanto, é esse também o motivo de orgulho da nossa ULS”. Matéria em relação à qual acrescenta que “isto reflete uma preocupação de dar uma prestação de cuidados de qualidade e, sobretudo, melhorar, não é aumentar, é melhorar o acesso que estes utentes vão ter ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), porque as coisas bem organizadas com certeza facilitarão esse melhor acesso a cuidados que serão de maior qualidade”.
Júlio Ramos assegurou, assim, que “o sucesso da USF Girassol será o sucesso da ULSCB, o sucesso da cidade”, para, no entanto, apresentar mais um lamento, ao afirmar que “infelizmente a nível da ULSCB ainda temos uma população de cerca de 19 por cento de utentes sem médico de família, com grandes assimetrias”, ressalvando que “é próprio dos territórios de baixa densidade. Então há realmente unidades de saúde com zero por cento de utentes sem médico de família, que é o caso de algumas USF aqui da cidade, até unidades mais periféricas, com cerca de 40 por cento de utentes sem médico de família”. Perante esta realidade garante que “estamos a trabalhar para que esse número melhore, sendo que a curto prazo é impossível corrigi-lo”.
A satisfação pela inauguração da USF Girassol foi também tornada pública pelo presidente do Conselho de Administração da ULSCB, Rui Amaro Alves, ao adiantar que “guiar e fazer parte de uma USF é um ato voluntário ao modelo de trabalho e de prestação da atividade institucional, mas é também um compromisso de proximidade com a comunidade, com a melhoria do acesso aos cuidados de saúde, com a prestação e a continuidade de cuidados e com a qualidade e a humanização. Os profissionais da USF Girassol sabem que o seu sucesso enquanto unidade funcional da ULSCB depende, em primeira mão, do desempenho coletivo de toda a equipa e, dentro desta, do esforço e contributo individual” e recordou que a USF Girassol presta serviços assistenciais em Castelo Branco e nas freguesias de Almaceda, Salgueiro do Campo, Freixial do Campo e Juncal do Campo”.
Rui Amaro Alves destacou também que “a USF Girassol se junta às três USF da cidade, que são a Beira Saúde, sediada aqui em São Miguel, a Amatus, sediada no Centro de Saúde Santiago, e a Receber e Cuidar, na antiga Clínica das Violetas”, para avançar que “a criação de USF no seio da ULSCB é uma via que queremos aprofundar no quadro da reforma dos cuidados de saúde primários, com o desígnio de proporcionar um médico de família ao maior número de famílias e utentes possível”.
Assegurou igualmente que “queremos cobrir a quase totalidade da população e dos utentes da área da nossa influência com acesso a USF”, pelo que “com a criação do USF Girassol demos um passo importante neste caminho” e adiantou que esta USF “inicia a sua atividade assistencial com 9.706 utentes inscritos”.
Rui Amaro Alves garantiu que “assim que denominarmos condições para preenchimento dos critérios definidos pela legislação, avançaremos com outras USF, no quadro da ULSCB, em outros locais e outros municípios”.
Presente na cerimónia, o presidente da Câmara de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues, começou por realçar que “as USF têm-se vindo a afirmar como uma mais-valia naquilo que diz respeito aos cuidados de saúde familiar. Têm feito esse trabalho de uma forma próxima, de uma forma profissional e também de uma forma muito direcionada”.
Por isso não perdeu a oportunidade de “deixar uma palavra de parabéns” ao presidente do Conselho de Administração da ULSCB pela “concretização de mais esta USF, mas também uma palavra de preocupação. Parabéns, porque em termos de cuidados de saúde familiar têm-se vindo a construir um caminho e resultados, e também respostas, que vão em conta daquilo que são as nossas necessidades, apesar de ainda termos cerca de 19 por cento, como dizia o senhor diretor clínico, de utentes sem médico de família. Temos feito esse caminho, mas todos nós sabemos que uma unidade local de saúde forte que consiga atrair profissionais, sejam eles médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico e outros profissionais, é fundamental para o desenvolvimento de uma região e Castelo Branco tem que efetivamente ter uma unidade local de saúde forte, com capacidade para atrair profissionais e que contribua para o desenvolvimento do território”.
Nesta perspetiva referiu que “para conseguirmos atrair empresas, para conseguirmos atrair mais pessoas para trabalhar nessas empresas temos que ter naturalmente uma boa resposta ao nível da saúde e os médicos de família que constituem as USF são o elo mais próximo com as populações e têm um papel fundamental na ligação depois ao hospital e àquilo que são as respostas do hospital”.
Leopoldo Rodrigues sublinhou, também, que “temos o objetivo da criação de mais USF no Concelho de Castelo Branco e acreditamos que ela se venha a concretizar”, para reiterar “este papel importantíssimo dos médicos de medicina familiar, porque eles são o elo mais próximo com as populações e aqueles que têm muitas vezes o maior conhecimento, ou na realidade dos casos, o maior conhecimento desses mesmos utentes, das suas condições e também daquilo que são as suas necessidades”.
Leopoldo Rodrigues fez questão de deixar bem clara “a inteira disponibilidade. Contem com a Câmara naquilo que são as nossas competências e também as nossas disponibilidades para vos ajudar”.
Rui Amaro Alves
faz pedido de obras
a Leopoldo Rodrigues
À margem da inauguração da USF Girassol, Rui Amaro Alves aproveitou para apresentar um pedido a Leopoldo Rodrigues, relacionado com um pátio interior que é um espaço degradado e sem qualquer utilidade.
Rui Amaro Alves revelou que “há ideias para transformar aquilo em algo útil. Temos já um projeto para uma estrutura metálica para cobrir esta área deste pátio interior, que na verdade não tem qualquer utilidade e não protege nada daquilo que colocamos por baixo, portanto é um espaço completamente inútil, não serve absolutamente para nada” e explicou que “isto tem a ver com aquilo que foi o projeto inicial, que entendeu que esta era a melhor forma de cobrir aquela área. Com o tempo foi-se degradando, era madeira e acabámos por ficar com a madeira toda degradada e neste momento é como chover na rua, é precisamente a mesma coisa, com o risco associado de quem está por baixo eventualmente poder cair algum resíduo ou algum bocado daquela madeira”.
Acrescentou ainda que “para nós, que temos dificuldade no armazenamento, é absolutamente urgente cobrirmos esta área devidamente, para que possamos colocar aqui o nosso arquivo clínico, o administrativo, tudo aquilo que realmente precisamos. Daí que tenha lançado este repto ao senhor presidente da Câmara”.
Rui Amaro Alves explicou ainda que “este centro de saúde teve um projeto ao Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), mas ao qual não foi possível dar continuidade, na medida em que titularidade deste imóvel não era da ULSCB. E não sendo titular do imóvel, não podíamos apresentar a candidatura, o que nos obrigou a fazer uma reprogramação e alocar as verbas que estavam aqui alocadas diretamente para outros investimentos que são necessários e que também são emergentes na ULSCB”.
Confrontado com este pedido Leopoldo Rodrigues avançou que “relativamente àquilo que são as infraestruturas físicas, a Câmara não tem competências delegadas por parte do Ministério da Saúde para a área da saúde”, sublinhando que “ainda assim, como é sabido, a Câmara tem apoiado em diferentes momentos e também de resposta a diferentes necessidades a ULSCB”, para concluir que “não estará fora dessa possibilidade intervenção aqui neste centro de saúde”.
António Tavares