Edição nº 1929 - 14 de janeiro de 2026

João Carlos Antunes
Apontamentos da Semana...

SOU LEITOR da revista Visão desde o primeiro número, como o fui de O Jornal, semanário onde se fundou e a que deu continuidade, até porque a equipa de jornalistas se manteve quase na íntegra. Pelo Jornal e depois pela Visão passaram alguns grandes nomes do jornalismo, Cáceres Monteiro, José Carlos de Vasconcelos, Beça Múrias ou Fernando Assis Pacheco, entre muitos outros, que lhe deram a qualidade da escrita, a força da investigação e a credibilidade da informação. Os jornais são peças de vida que nascem, crescem e, por várias razões, acabam por morrer. A crise global da Imprensa em papel e a incapacidade de gestão do atual proprietário, fez com que a Visão fosse envolvida no processo de insolvência que levou ao fim dos vários títulos jornalísticos que pertenciam ao grupo, incluindo o Jornal de Letras.
Apesar da declaração de insolvência e da perda do espaço físico onde funcionava a redação, os jornalistas e gráficos conseguiram, em teletrabalho, com grande esforço pessoal, muita resiliência e suportando salários em atraso, continuar a pôr a Visão na rua todas as semanas.
Por isso, merece que o esforço seja recompensado com o sucesso do crowdfunding que lançaram, uma recolha de fundos para a compra do título pelos atuais jornalistas, que querem voltar a pôr de pé o título e criar condições de trabalho para a continuar a pôr nas bancas e voltar às caixas do correio dos assinantes. Em menos de uma semana, a solidariedade dos seus leitores fiéis, resultou num valor já acima dos cinquenta por cento dos 200 mil necessários para a execução do plano.
É isto que me permite ter esperança na sobrevivência e futuro da Imprensa escrita, para defesa da democracia, uma peça importante no combate à desinformação (não confundir com informação errada que é a partilha não intencional de informações imprecisas compartilhadas de boa fé por aqueles que não sabem que estão repassando falsidades) que tem terreno fértil nas redes sociais.
E é sobre estes novos tempos que a jornalista Margarida Davim apresenta na Visão, um dossier muito atual e bem fundamentado. De como a polarização que se vive nas redes e o fim dos consensos sociais, tem reflexos dramáticos na vida em sociedade, destrói amizades e afasta familiares. E de como, em modo de autodefesa, vamos construindo a nossa própria bolha, ao bloquear nas nossas plataformas digitais aqueles que têm opinião difícil de engolir, fazem comentários preconceituosos ou ofensivos. Aliás, foi o que fez Nuno Markl, ainda na cama do hospital, que bloqueou todos os seguidores que reagiram com galhofa, o emoji de rir até às lágrimas e com comentários absurdos, à notícia do assassinato de uma mulher e mãe americana pelo ICE, polícia de mão de Trump, que atua sempre de cara tapada, que vai muito além do seu pretenso objetivo de combater a imigração ilegal. “Se depois de tudo o que se vê nos ficheiros Epstein, de toda a depravação moral daquele homem, se depois deste homicídio ainda o admirarem, não podemos mesmo ser amigos (…). Admirar Trump e criaturas similares é ser tão monstruoso e mau ser humano como ele”. É uma questão de decência, não de se ser de direita ou esquerda.

14/01/2026
 

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