Edição nº 1929 - 14 de janeiro de 2026

Antonieta Garcia
SAPOS, ALHOS E BUGALHOS ... OU ESTE MUNDO CORRE SEM TINO...

Identificá-lo como Bugalho, não foi a melhor opção? Se calhar, foi. Começamos por perceber que estas palavras se dão bem... e até rimam... Ou seja, quando acontece usarmos referências em que bailam alhos, olhos e bugalhos, trocam-se, obrigatoriamente saberes. É muito extenso o baralho.
- Nem alhos nem bugalhos? Era o que faltava! Às vezes, neste contexto, alguém abre os olhos, troca alhos por bugalhos, confunde situações que não têm nada a ver uma com a outra (mesmo que sejam ligeiramente semelhantes).
A palavra alho rima com bugalho e a semelhança notória entre uma cabeça de alho e um bugalho permite aconselhar:
. Não confunda alho com bugalho!
. Porquê, trocar alho por bugalhos?
Afinal o que é um bugalho?
É uma saliência arredondada que se forma em algumas espécies de carvalhos, sobreiros e azinheiras... Esculpe-se a partir do depósito de ovos de vespa nos ramos de árvores, onde passará pelas metamorfoses: larva, ninfa e adulto.
Falam alto estas alembranças. Vivemos envoltas em serras, em montes que identificamos um a um. A região apresenta um presépio; luzes brilham nas encostas da Covilhã, alumiadas pelas estrelas de casas serranas que desafiam castelos e outras reminiscências ... Os castelos e os solares da nossa serra mãe, feliz, contam histórias de heróis, de lendas que só nós sabemos, só nós sabemos...
Se caminhamos pela Gardunha, Estrela, pela reserva natural da Serra da Malcata, uma das áreas protegidas do País, com sorte, cumprimentaremos, sempre de longe, o lince ibérico, um dos felinos ameaçados do Mundo.
Aliciantes, de orelhas em bico, desafiam-nos, enfunados de personalidade de bichos pequenos, de coelhos que desaparecem com fúria libertadora. Medo? Engulhos? Agonias? Aqui, há regras, princípios... Mexe-se bem esta bicharada...
Os meses de Inverno, felizmente, são amigos. Baila o frio com a lareira, surgem histórias de afetos. As candeias abraçam camas quentinhas, o odor da lenha embriaga as fogueiras de estrelas...
Olha o gato bonito... Entrou e enrodilhou-se na manta de lã. Disse-me:
- Então e o meu lugar? Nunca têm juízo nenhum! Chega-te para lá!
Ortodoxo, este bichano não se desvia um milímetro e cumpre todas as normas de um “gentleman”: vira-se para o lado mais solarengo e sopra fantasias suspiradas para o que der e vier.
Em casa, calaram-se os sonhos, o tempo já dormita... Na Praça da Canção, que é a nossa Serra, dançam palavras companheiras, hinos de esperança, memórias de futuro.
Em demanda da bênção de deuses e de homens, afagamos anseios da Serra Mãe. Somos companheiros franciscanos...
Para amar contra a Guerra, à beira da lareira, abraçamos paraísos, desensarilhamos melancolias, aliviamos pesares... porque é Janeiro. Está frio!
- Olha o pecado! Se é pecado abrir os braços a quem quer amar...
Mas, por exemplo, os sapos. Se entram a falar, coaxam, batem castanholas ritmadas, ficam malparecidos na fotografia... Assustam! Os sapos, de boca aberta ou fechada, são tão feios que se acredita ser possível, um dia, parecerem lindos!
Destes sapos falam pragas bíblicas. “Engolir sapos” é metáfora velha, carregadinha de energia. Usa-se à direita e à esquerda; não liga ao centro. Bichos associados ao prazer da lama, o sapo, a sapa e os sapinhos cruzaram caminhos, voaram em tapetes de feiticeiros... Já são amigos. Não estão baralhados.
Engula sapos! Feche os olhos e engula-os – aconselhava um dos dirigentes políticos mais célebres deste nosso tempo (Álvaro Cunhal, precisamente). Os alhos, os bugalhos e os olhos... que fazemos com eles? Correm sem tino?

14/01/2026
 

Outros Artigos

Em Agenda

 
Não existem registos a listar!

Gala Troféus Gazeta Atletismo 2024

Castelo Branco nos Açores

Video