João Carlos Antunes
Apontamentos da Semana...
SÃO TEMPOS PERIGOSOS, os que correm. Nada que não fosse previsível, estando um político do calibre de Trump à frente do país mais poderoso do Mundo. Depois da operação relâmpago na Venezuela, militarmente um perfeito sucesso, o resto ainda é cedo para avaliar, Trump, uma personalidade quase unanimemente reconhecida como mitómana e narcisista, achou-se o dono do universo, capaz de todas as proezas. E encontrou em Benjamin Netanyahu o parceiro ideal para a aventura de fazer a guerra com o Irão, uma guerra que interessa particularmente ao líder israelita que, tal como Trump, enfrenta problemas internos. As acusações graves de corrupção, como toda a porcaria embrulhada nos ficheiros Epstein, poderão ter sido o pretexto para a aventura de uma guerra, que já está a incendiar todo o médio oriente, com consequências globais. Consequências económicas, que o fecho do Estreito de Ormuz vai despoletar. Consequências ao nível da segurança das populações, em particular dos europeus. O chefe do governo alemão já alertou para a previsível multiplicação de atentados perpetrados por grupos terroristas, alimentados pelo Irão, que têm estado adormecidos. E sem esquecer que a operação militar coloca a base americana das Lajes, como outras espalhadas pela Europa e pelo Mundo, como alvo legítimo de ataque do Irão.
As guerras, sabe-se sempre como começam, não se adivinha como acabam. Como é habitual, Trump não pensa o dia seguinte. Era uma operação especial rápida de tão avassaladora, disse ele (lembram-se da Ucrânia?). Depois, resolvia-se num par de semanas, agora passou para quatro semanas. Tudo baseado em não sabemos o quê. O que se sabe é que o Irão é um país enorme, perto de cem milhões de habitantes, sendo 90 por cento muçulmanos xiitas, o que confere ao país uma unidade religiosa e política. Apesar da enorme e crescente contestação ao regime teocrático, onde a dissidência é severamente reprimida com sangue e não existe liberdade de imprensa e de pensamento, não vai ser fácil nem pacífico substituir os atuais dirigentes, por novos, menos autoritários e capazes de instalar um sistema legal e social baseado numa interpretação menos rigorosa da lei islâmica (Sharia) com respeito dos direitos dos cidadãos e das mulheres em particular. Historicamente, sabe-se que nunca deu bons resultados querer substituir regimes autoritários pela força e, infelizmente, talvez esta não seja a exceção…
Sopram fortes ventos de guerra e este não é o mundo que sonhávamos para os nossos filhos e netos.