Pedra da Paciência de Castanheira o livro de uma vida
Sexta-feira, 15 de maio, o terraço da Cinemateca Nacional, espaço ícone de Lisboa, encheu-se para ouvir José Carlos Vasconcelos, Rui Zink e Ana Maria Pereirinha apresentarem o novo livro de José Manuel Castanheira. Pedra da Paciência, o nome foi buscá-lo ao longo banco de pedra esculpido na rocha que existe em Alpedrinha.
Como sublinhou José Carlos de Vasconcelos, o livro editado pela Guerra e Paz é exemplar na conjugação das imagens e textos, que naturalmente emana de um teórico e pensador do teatro e dos espaços teatrais. Constrói-se o livro como se uma casa fosse, organizada em espaços que confluem de acordo com uma lógica natural da vida vivida. Dos teatros, dos acontecimentos, dos lugares, das pessoas, dos mestres e dos objetos
Com Teixeira de Pascoaes em epígrafe, Mas quem somos nós? Um homem é todas as coisas que ele viu e todas as pessoas que passaram por ele, nesta vida, o livro faz-se portanto em registo autobiográfico, desde a sua infância e juventude em Alpedrinha, Escalos de Cima e Castelo Branco até aos dias de hoje, e lembra-se que ainda há poucos dias viu seu trabalho de cenógrafo reconhecido e aplaudido na capital da Estónia. José Manuel Castanheira atravessa, neste Pedra da Paciência, a história mundial dos séculos XX e XXI através da narração das suas viagens, encontros com personalidades, espetáculos e do olhar da sua companheira Mila. Um tratado sobre as artes cénicas, em que o autor presta homenagem ao universo do teatro, do espetador ao ator, da música à pintura, da arquitetura à dança, da escultura à literatura, do cinema à fotografia.
Rico de experiências pessoais e profissionais, Pedra da Paciência constitui-se de fragmentos dispersos no tempo que procuram expressar o caráter complexo das ideias, sublinhando como a cega especialização bloqueia qualquer ideia de futuro. Entre o olhar e o tempo, entre o desenho e as palavras, no fim uma pergunta fica: quem estará sentado nesta Pedra da Paciência?
JCA