Edição nº 1948 - 27 de maio de 2026

João Carlos Antunes
Apontamentos da Semana...

POR ESTES DIAS a Comunicação Social, em particular as televisões, fizeram intervalo nas guerras para dar palco à notícia que chocou Portugal e França, de dois irmãos, Franceses, abandonados pela mãe e pelo padrasto numa mata entre Alcácer do Sal e a Comporta. Um caso verdadeiramente chocante, felizmente raro mas não único. Ainda estamos lembrados da pequena Jéssica, menina de três anos entregue pela mãe como pagamento de uma dívida de 400 euros, a uma mulher que se apresentava com ama mas que na verdade geria, juntamente com a sua família, um esquema de tráfico de estupefacientes, sendo a menina usada como correio de droga e vítima de agressões violentas e continuados que viriam a causar-lhe a morte.
Neste caso tratava-se de famílias desestruturadas, da miséria e do sub-mundo da droga e do crime. No caso dos meninos Franceses, tratava-se de uma mãe aparentemente normal e formação académica superior mas que o comportamento mostrou que o que lhe faltou em empatia e amor maternal, teve de sobra em comportamento desumano. Fez aquilo que tantos Portugueses fazem quando vão de férias e se libertam dos animais domésticos, deixando-os ao abandono à beira da estrada. Tal como aconteceu com a mãe de Setúbal, não temos dúvida que a justiça vai funcionar e que vai ter o castigo merecido. Todo ele não será suficiente para esquecer os traumas que estas crianças menores vão, possivelmente, carregar para o resto da vida. Tal como o filho adolescente abandonado em França, sozinho, na casa onde viviam e de onde partiram para praticar este ato premeditado.
Mas a repulsa por estes atos, é amenizada pelo comportamento de Alexandre Quintas, um padeiro que a caminho do seu trabalho passou pelos dois irmãos na estrada, a chorar e não hesitou em parar para os ajudar. Constatando que por perto não havia qualquer adulto, recolheu-os, tratou deles em casa, pô-los a interagir com os seus filhos e informou as autoridades. O nosso herói, pai de 10 filhos, ficou emocionado com a história que se desvendou entretanto, tanto que a compaixão e humanismo leva-o a declarar que, se possível, gostaria de vir a adotá-los. Tal não vai acontecer, não importa, mas gostaria de os rever porque considera que a sua família poderia ser de acolhimento até a justiça e os serviços sociais tomarem as suas decisões de acordo com a lei. A sensibilidade deste homem é comovente, a fazer-nos acreditar que num mundo desumanizado, ainda há futuro possível para os nosso filhos e netos.

E É TAMBÉM ISSO que sentimos quando lembro duas notícias sobre a guerra na Ucrânia que vi e li por estes dias. Num momento crucial da guerra, quando Putin intensifica os ataques com todas as armas destrutivas possíveis, dois exemplos da resistência dos ucranianos que Putin deveria entender. Dois dias depois de ter inaugurado o seu café, em Kiev, o jovem dono viu-o quase completamente destruído por um míssil. Apesar disso, não desistiu, continuou a servir à janela do estabelecimento e os Ucranianos solidários fazem agora longa fila no café semidestruído.
Outro exemplo, divulgado pelo New Yorker é o de Fatkullin, Ucraniano campeão do mundo de voo acrobático. Junto com o amigo Gusak usa o seu avião para destruir drones. Querem proteger os Ucranianos, sem sujar as mãos de sangue dos russos.

27/05/2026
 

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