Edição nº 1948 - 27 de maio de 2026

DEMOGRAFIA E ECONOMIA NOS TERRITÓRIOS E NA BAIXA DENSIDADE
Fatalismo demográfico do Interior rejeitado em seminário

O fatalismo demográfico do Interior foi rejeitado pelos oradores da sessão de abertura do seminário Demografia e Economia nos Territórios e na Baixa Densidade, organizado pela Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP) e pela Comunidade Intermunicipal da Beira Baixa (CIMBB), em colaboração com a Câmara de Castelo Branco, sexta-feira e sábado, 22 e 23 de maio, no Museu Francisco Tavares Proença Júnior, em Castelo Branco.
O presidente da Câmara de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues, começou por afirmar que “vivemos no Interior do País”, para denunciar que “existe um estigma sobre as terras onde vivemos, onde trabalhamos” e assegurar que “não tenho essa perspetiva”.
O autarca sublinhou também que “o desenvolvimento destes territórios passa muito por aquilo que é o investimento público, também da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC)”.
Leopoldo Rodrigues focou-se depois naquilo que a Câmara já fez e está a fazer no desenvolvimento das infraestruturas, para reiterar que “precisamos da CCDRC, do Ministério da Economia, que o Governo olhe para este território como olha para outros” e garantiu que “os desafios são muitos e os objetivos são grandes”, pelo que “precisamos de encontrar e reunir sinergias”.
Também o presidente da CIMBB e da Câmara de Proença-a-Nova, João Lobo, afirmou que “ninguém tem territórios desenvolvidos sem pessoas”, o que, recordou, levou a CIMBB a lançar um desafio ao Instituto Politécnico de Castelo Branco (IPCB), para desenvolver um estudo da demografia dos oito municípios que a integram.
Um estudo, que salientou, “se veio traduzir em números”, sendo que “todos os oito municípios evoluíram em população, demonstrou um aumento da fixação das pessoas, em alguns acima de dois dígitos”.
Por seu lado, José António Cortez, da CCP, deu especial atenção “à especificidade dos territórios de baixa densidade”, bem como falou “na lógica de reforçar a coesão dos territórios”, mas alertando para que tal “não se traduza em nenhum confronto regional, entre regiões, sem que os territórios não desenvolvidos recuem para ficar ao nível dos menos desenvolvidos”.
Sempre com o foco na demografia, também o presidente da CCDRC, José Ribau Esteves, assegurou que “sou um lutador contra a baixa densidade” e alertou para a necessidade de serem rejeitadas terminologias negativas sobre a Região Centro, “demasiadamente assombrada com notícias negativas ligadas a incêndios e fenómenos naturais”. Em contrapartida, defendeu uma comunicação positiva, com a qual “temos de jogar positivo, focar na notícia boa e valorizar o muito bom que temos”.
José Ribau Esteves frisou que “o motor da sustentabilidade é a economia, mas sempre em função do segundo pilar, que é o ser humano”, para explicar que “num território não me interessa a densidade. O que me interessa num território é onde está o nível de desenvolvimento socioeconómico”, apontando para “a reunião de energias e capacidades” e concluir que “o que podemos fazer, é isso que importa”, não deixando de defender que “a economia permite atrair gente para viver connosco”.
António Tavares

27/05/2026
 

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