Edição nº 1948 - 27 de maio de 2026

NO PRÓXIMO SÁBADO, 30 DE MAIO, SEGUNDA ETAPA DA GRANDE ROTA
Grande Rota da Transumância revela a histórica aldeia de Alares

A segunda etapa da Grande Rota da Transumância (GRT) é cumprida no próximo sábado, 30 de maio, com um percurso que liga Alares a Rosmaninhal, no Concelho de Idanha-a-Nova, e que integra a programação da feira de gado Feira da Badana.
Depois de uma primeira etapa em contexto urbano, realizada em Castelo Branco, a GRT entra agora no coração da paisagem e da memória pastoril da Beira Baixa, propondo uma caminhada interpretada por um território de elevado valor histórico, natural e cultural.
A GRT 2 tem cerca de 10 quilómetros, apresenta um nível de dificuldade baixo e decorre maioritariamente em terreno plano. A caminhada tem início às nove horas, na aldeia de Alares. Por se tratar de um percurso linear, os participantes serão transportados previamente de Rosmaninhal para Alares, pelo que devem estar no recinto de festas de Rosmaninhal às oito horas.
A jornada começará em Alares com uma contextualização histórica feita pelo arqueólogo e investigador Mário Chambino, que dará a conhecer o passado desta aldeia, outrora um dos locais mais emblemáticos da transumância na Beira Baixa.
Após esse momento inicial, terá início a caminhada. Por razões de logística e de bem-estar animal, o rebanho que protagoniza esta segunda etapa juntar-se-á aos participantes a meio do percurso, recriando simbolicamente a ligação entre comunidades, pastores e território.
Pouco depois, haverá uma pausa para descanso, reposição de energias e confraternização. Ao longo de todo o trajeto, os caminheiros serão acompanhados por um grupo de animação, pastores locais, convidados e conhecedores da região, tornando esta etapa numa experiência de interpretação do território, da paisagem e da memória pastoril.
A etapa termina na aldeia de Rosmaninhal, onde os participantes da GRT se juntam aos visitantes da Feira da Badana para um almoço comunitário.
O almoço terá como prato principal o tradicional ensopado de borrego, havendo também uma alternativa, que é arroz de pato.
Ainda antes do almoço haverá uma oficina de queijo, com a queijeira local Manuela Flores.
Depois do almoço, o programa continua com várias atividades dedicadas à pastorícia, à transumância e à valorização dos produtos e saberes associados a esta herança cultural, como a conversa aberta Pastorícia e biodiversidade, com oradores convidados; a exposição Pastores, Guardiães de uma Paisagem, da autoria de Valter Vinagre; uma demonstração de tosquia; prova de queijos e mostra de produtos temáticos da pastorícia na tenda da Grande Rota da Transumância; momentos musicais de grupos locais.
Alares é hoje uma aldeia abandonada, onde permanecem ruínas, muros e estruturas de pedra que testemunham uma vivência antiga profundamente ligada à pastorícia e à transumância. O seu abandono ficou associado a um intenso conflito social conhecido como Guerra dos Montes ou Guerra dos Povos, ocorrido entre 1923 e 1930.
O percurso entre Alares e Rosmaninhal atravessa o coração do Parque Natural do Tejo Internacional, território de grande relevância ecológica, integrado na Reserva da Biosfera Transfronteiriça Tejo/Tajo Internacional, e inserido também no Geopark Naturtejo.

27/05/2026
 

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