PONTE INTERNACIONAL DE MONFORTINHO FOI PONTO DE ENCONTRO
Luta pela ligação por autoestrada entre Portugal e Espanha ganha força
A Ponte Internacional de Monfortinho foi palco, dia 20 de Mao, de uma mobilização que envolveu elementos tanto da raia portuguesa, como da espanhola, com vista à ligação por autoestrada entre a EX-A1, em Moraleja, Espanha, e a Autoestrada da Beira Interior (A23), junto a Alcains, o que no caso de Portugal corresponde ao Itinerário Complementar 31 (IC31). Sob o mote Cooperar para travar o despovoamento, o evento uniu autarcas, instituições e populações dos dois lados da Raia, numa posição categórica face aos governos de Lisboa e Madrid, com vista ao início das obras já este ano.
Durante as intervenções os líderes políticos regionais detalharam o impacto socioeconómico do projeto. Nos discursos que decorreram no palco principal, perante várias centenas de pessoas, incluíram-se as declarações da presidente da Câmara de Idanha-a-Nova, Elza Gonçalves; do presidente da Câmara de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues; do porta-voz da ATE, Francisco Martín; e do alcalde do Ayuntamiento de Moraleja, Júlio César Herrero.
Elza Gonçalves destacou o simbolismo do encontro como um marco de justiça, coesão e respeito por um povo resiliente. A autarca afirmou que a implementação do IC31 com perfil de autoestrada representa uma oportunidade transformadora para reposicionar a região como o centro de um novo eixo ibérico.
Elza Gonçalves realçou que “esta obra ultrapassa a engenharia e o território. Esta é a autoestrada da esperança de um povo inteiro. É o canal que libertará o potencial adormecido de uma região que exige, por direito e por justiça, o seu lugar no futuro”.
A autarca destacou também “a legitimidade da reivindicação, lembrando aos governos centrais que os cidadãos da Beira Baixa cumprem as mesmas obrigações fiscais que os das capitais. O foco do Município de Idanha-a-Nova reside na facilitação do investimento privado, na fixação de jovens talentos e na atração de novas dinâmicas económicas através de um corredor de transporte rápido e seguro”.
Elza Gonçalves clarificou ainda que “a estratégia de desenvolvimento do Concelho de Idanha-a-Nova assenta na valorização do ordenamento do território e no crescimento sustentável. Esta visão traduz-se em duas frentes de ação paralelas que incluem o empenho total na concretização do IC31 em perfil de autoestrada como um corredor de vida gerador de emprego, turismo e qualidade de vida, a par de uma oposição institucional firme à instalação desmesurada de centrais solares de grande escala que comprometem o equilíbrio ambiental e paisagístico da região”.
Por seu lado, Leopoldo Rodrigues realçou que “este é um dia histórico que demonstra o empenho da sociedade civil da Beira Baixa e da Extremadura. O movimento que temos vindo a desenvolver há dois anos prova que este projeto rodoviário é essencial para alavancar o nosso território”.
O autarca, a exemplo de Francisco Martín, sublinhou que “este não é um projeto partidário, é uma ambição de todos. Não é uma ação contra os governos de Portugal e de Espanha, mas um apelo para que ouçam a voz do povo. Só ficaremos sossegados quando virmos as máquinas no terreno”, e concluiu que é hora de passar das promessas aos atos após mais de duas décadas de atraso, uma v vez que “para nós, é agora ou nunca. O nosso desenvolvimento não pode esperar mais”.
No decorrer da iniciativa, a ATE anunciou que vai solicitar reuniões bilaterais de alto nível com o Governo de Portugal e com o Governo Regional da Extremadura, para “garantir compromissos firmes e um calendário vinculativo que viabilize a abertura da via em 2029”.
Recorde-se que este pedido de audiência surge na sequência das reuniões já realizadas com os partidos representados no Parlamento da Junta da Extremadura, estando também agendados encontros semelhantes com os partidos com assento na Assembleia da República Portuguesa.