Brincar, rir, sonhar sem limites e ser amada
No âmbito do Dia Mundial da Criança, deixo esta reflexão sobre aquilo que, verdadeiramente, faz uma criança feliz.
A felicidade de uma criança, raramente, se encontra nas coisas grandes, caras ou extraordinárias. Vive, sobretudo, nos detalhes simples do quotidiano: no abraço apertado antes de dormir, no tempo dedicado a brincar, na atenção genuína de quem a escuta e na segurança de sentir que pertence a um lugar onde é amada, exatamente, como é.
Uma criança feliz é aquela que pode crescer sem medo de errar, que tem liberdade para imaginar, correr, explorar e fazer perguntas. É aquela que encontra nos adultos referências de afeto, estabilidade e confiança. Porque, para uma criança, felicidade não significa ter tudo, significa sentir-se vista, protegida e importante.
Vivemos tempos em que, muitas vezes, o ritmo acelerado da vida faz com que se valorize mais o desempenho do que a presença, mais os resultados do que os afetos. Contudo, as memórias que marcam a infância não são, geralmente, os brinquedos mais caros ou os dias perfeitos. São os momentos em que alguém teve tempo. Tempo para ouvir uma história repetida vezes sem conta, para brincar no chão, para segurar a mão num momento de insegurança ou, simplesmente, para estar.
A criança precisa de amor, mas também de limites. Precisa de atenção, mas, igualmente, de autonomia para descobrir quem é. Precisa de sentir que pode expressar emoções tais como a alegria, tristeza, medo ou zanga, sem receio de ser rejeitada. Quando uma criança sente que as suas emoções são acolhidas, aprende que o mundo pode ser um lugar seguro.
Ser uma criança feliz é poder viver a infância em toda a sua essência: brincar sem pressa, rir sem motivo, fazer perguntas sem censura e sonhar sem limites. É ter adultos que compreendam que educar não é apenas ensinar regras, mas sobretudo construir vínculos.
Neste Dia Mundial da Criança, talvez a reflexão mais importante seja esta: aquilo que mais oferece felicidade a uma criança continua a ser algo que nenhum ecrã, presente ou tecnologia consegue substituir e que é a presença afetiva, consistente e verdadeira de quem cuida dela.
Porque uma criança feliz não é a que tem mais. É a que se sente mais amada, respeitada e segura para crescer!
Patrícia Bernardo (Psicóloga Clínica e da Saúde)