Edição nº 1958 - 5 de agosto de 2026

João Carlos Antunes
Apontamentos da Semana...

UM DIA DESTES, conversava eu com uma amiga que vive em Setúbal. Ela expressava-me a nostalgia pelos tempos em que na sua cidade, durante os meses de verão se via cinema ao ar livre. Claro que não podia perder a oportunidade de puxar pelos galões de albicastrense e falar-lhe daquilo que acontece na nossa cidade nas noites cálidas de verão. São as Noites Azuladas do jazz; o festival Sete Sóis Sete Luas que se iniciou esta semana com um concerto de música cretense, música do mundo, pelo grupo da grega Xanthoula Dokananou e teve continuidade no sábado com o teatro de rua da companhia basca Markeliñe e sem esquecer, evidentemente, o cinema ao ar livre que voltou a acontecer no Parque da Cidade, como acontecia nos meus tempos de estudante, com a diferença de que agora é gratuito. E a juntar ao Parque Urbano do Montalvão, que vai tendo atrativos e atividades para o espaço de vivências que já o fez integrar naturalmente no lazer dos albicastrenses, como acontece agora com as sessões de cinema. E que tem este ano a novidade de ter mais um palco na Devesa, que além do cinema ainda vai receber um multi premiado circo espanhol de rua.
A programação foi delineada de forma inteligente, com filmes recentes que são sucesso como O Diabo Veste Prada 2, outros especialmente dirigidos aos mais jovens, sempre com títulos recentes, bem conhecidos, como o Toy Stories, que vão tornar ainda mais agradáveis e em família as noites albicastrenses.
As clássicas sessões de cinema ao ar livre, não são exclusivo de Castelo Branco. Também acontecem por por estes dias na Sertã, com Filmes Musicados ao Relento, onde sei do prazer que terá sido ver os clássicos do cinema mudo acompanhados pela música ao vivo. Por exemplo, o músico e compositor sertanense, Marco Figueiredo, improvisou ao piano a banda sonora do The Kid de Charles Chaplin (fica a ideia para os programadores culturais da autarquia...).
As noites albicastrenses, como em geral as noites do interior, são património climático (se é que existe este tipo de património). Uma pessoa que me é bastante próxima viveu durante vários anos na ilha da Madeira e dizia-me nessa altura que, de Castelo Branco, uma das saudades que tinha era essa mesmo, a das noites cálidas, que apelavam ao convívio e que enchiam de passeantes o antigo passeio verde e as esplanadas da cidade. A tradição dos serões em conversa de vizinhos, passados à soleira de casa, tão nosso, ainda agora se mantém em bairros populares da cidade (bairro Leonardo e do Castelo são exemplo) como ainda acontece na minha e em outras aldeias da região. Não da forma generalizada como acontecia nos anos da minha infância, antes da televisão e as novelas terem monopolizado o espaço nas nossas casas. Mas é o prazer saudável do usufruto de uma das nossas singularidades, que faz a diferença entre os bairros populares e os novos bairros urbanos, onde cada fração do prédio é o casulo da família, a cair tantas vezes na comunicação de sentido único. Com música, com cinema ou simplesmente com conversa de amigos, os nossos leitores que deixem os sofás descansar e aproveitem, em família, todos estes programas a acontecer nas inigualáveis noites de verão, perfeitas para serão na província.

05/08/2026
 

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