António Tavares
Editorial
Em Portugal assistiu-se, na passada quarta-feira, 12 de agosto, a um acontecimento histórico. Tratou-se do eclipse total do Sol que, afinal, só foi total no extremo Noroeste do País, no Parque de Montesinho, já que no restante território nacional ficou entre esses 100 por cento e os 92,7 por cento, em Faro, no Algarve, enquanto no Funchal, Madeira, ficou pelos 92 por cento.
Seja como for, esta foi uma ocasião que marcará a vida de todos os que puderam assistir, quer pela sua grandiosidade, quer pela sua raridade. Afinal o último eclipse solar em Portugal foi a 17 de abril de 1912, há 114 anos, e o próximo só ocorrerá em 2144, daqui a 118 anos.
Ou seja, quem viu o de 1912 não pode observar o deste ano, e quem viu o deste ano, garantidamente não assistirá ao próximo. Isto sem considerar que houve muitas pessoas que ao longo da sua vida não tiveram a oportunidade de ver qualquer eclipse total em Portugal.
Tudo isto fez com que este fosse o momento de uma vida, que ficará para sempre gravado na memória e será tema de histórias para contar a filhos e netos.
Também por esse motivo se compreende todo o envolvimento, excitação e expectativas em relação a este fenómeno que veio acompanhado, no mesmo dia, da chuva de estrelas das Perseidas.
Tudo isto é compreensível, mas, afinal tratou-se de um fenómeno astronómico, apesar de ser raro. O bom era que os Portugueses se envolvessem tão afincadamente em questões bem mais importantes que impactam a vida do dia a dia e o futuro, mas essa é outra história.