NOS CONCELHOS DE CASTELO BRANCO E IDANHA-A-NOVA
Já nem a cortiça nas árvores escapa aos furtos
Os furtos de cortiça estão a alarmar os proprietários florestais, principalmente em algumas freguesias dos concelhos de Castelo Branco e Idanha-a-Nova.
A denuncia é feita pela Associação de Produtores Florestais da Beira Interior (AFLOBEI) que, preocupada com a situação que alguns dos seus associados enfrentam, enviou um ofício à Câmara de Castelo Branco, de modo a esta intervir “junto das autoridades responsáveis pela segurança da propriedade dos cidadãos, para que tais atividades sejam atalhadas urgentemente”.
A AFLOBEI afirma que “é do conhecimento público que os furtos em explorações agrícolas têm aumentado nos últimos anos”, para realçar que, recentemente, se verifica “um acentuar de roubos, designadamente de cortiça”.
Nesta matéria adianta que “nos últimos dois meses verificaram-se roubos de cortiça que apenas deveria ser extraída dentre de três a quatro anos, o que significa que tais roubos, para além de constituírem uma perda significativa de rendimento para os proprietários, pode provocar a morte das árvores, com consequente perda não só para os proprietários, mas também para o País, que tem na cortiça uma das principais exportações”.
De acordo com a AFLOBEI a cortiça é furtada da árvore, o que constitui uma ameaça para os sobreiros, até porque a “cortiça não é retirada por profissionais, que percebem da arte”.
Assim, além da cortiça ser extraída antes do devido tempo, ou seja, um intervalo de nove anos, esse procedimento também não é feito da melhor forma.
Ainda de acordo com a AFLOBEI, as explorações que têm sido mais afetadas localizam-se nas freguesias de Castelo Branco, Malpica do Tejo e Monforte da Beira, no Concelho de Castelo Branco, e Salvaterra do Extremo e Segura, no Concelho de Idanha-a-Nova, tendo sido já apresentadas várias queixas na Guarda Nacional Republicana (GNR).
Dados que são confirmados pelo Comando Territorial de Castelo Branco da Guarda Nacional Republicana (GNR), ao afirmar que o furto de cortiça “é um fenómeno que se tem registado”, acrescentando que “este é um crime cíclico, que já se verificou noutros anos”, havendo a realçar que os furtos ocorrem entre junho e agosto, que são os meses em que a cortiça é extraída.
Face às queixas já apresentadas a GNR está a investigar os casos, sendo que a par disso, no que respeita à prevenção, “está a ser reforçado o patrulhamento em lugares mais sensíveis”.
De realçar, que ainda na última semana, foram apresentadas duas queixas por furto de cortiça em propriedades agrícolas, no Posto Territorial da GNR de Malpica do Tejo.
Uma foi apresentada no passado dia 15, respeitante ao furto, numa propriedade em Monforte da Beira, de cerca de 200 arrobas (três mil quilogramas) de cortiça, avaliadas em 4.700 euros.
A segunda, também em Monforte da Beira, foi apresentada quinta-feira, respeitando a 120 arrobas (1.800 quilogramas), avaliadas em 4.500 euros.